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A revolta das palavras

Título de Maria Ondina Braga e pequena homenagem à escritora que nasceu e morreu em Braga, após longo caminhar pelo então Mundo Português: Angola, Índia e Macau; igualmente viveu na China, França e Inglaterra. Esta desordem mundividencial transferiu-a para a obra. De tal modo a dispersa vivência influencia a sua escrita – ficção produto de memória, um tudo feminista, nascida na angústia da escolhida solidão – que foi tese de “doutorado” de Luciana Bezerra na Universidade Federal do Rio de Janeiro: A Escrita Itinerante de Maria Ondina Braga. Esquecida por cá – embora a CMB haja instituído o Prémio Literário MOB, e tenha sido distinguida, em 1970, com o Prémio Ricardo Malheiro pelos contos Amor e Morte e Prémio Eça de Queirós, 1991, pelo romance Nocturno em Macau – não o foi em terra alheia. Melhor título não acharia para o que proponho tratar.

Gonçalo Reis Torgal
8 Fev 2013

REVOLTA DAS PALAVRAS insultadas no Acordo Ortográfico acolhido, servindo não sei quem. Recusado em Angola e Moçambique, não aceite no Brasil, atirado para hipotético 2016, com a “Presidenta” a seguir a razão, foi-o por nós, Pais da Língua, ingratos filhos. Dirá Coelho Passos Pedro: Estava elaborado, firmado e adoptado. Mas não faz ele gato-sapato do legislado e prometido? Não enche a boca com o patriotismo de que daria mostras respeitando a vontade objectiva de milhares de subscritores pedindo a suspensão e dos milhões que o recusam ou discordam? O caso é, como na imposição do neoliberalismo, que tal patriotismo é cobardia a coberto de clamor patriótico. Palhaço de si, o Governo comanda a tragicomédia de vendermos a língua a quem a não quer. “Pior que não poder fazer é não fazer por não querer”. CPP não faz por não querer. Quanto ao cientificamente correcto da suspensão é q.b. ignorante para a aquilatar. Mas há mais culpados. Pois não se acatou servil o que nem a lei tinha por si? Pois os média, não correram a escrever na palhaçada imposta por meia dúzia de feitos sábios? Pois, na ridiculez de únicos na rebaldaria do negar a Língua Portuguesa, não continuamos incapazes de cobro lhe pôr? REVOLTAM-SE AS PALAVRAS. Do Governo não se espere o maná da inteligência. Mas, “Ninguém é dono de ti (no caso da Língua Pátria). Não deixes a tua alegria, a tua paz, a tua vida nas mãos de ninguém.” – Aristóteles
Acarneirados, nem demos pela lição de Cabo Verde, quando o representante da Selecção, com tanto êxito na Taça das Nações Africanas, recusou dar entrevistas em inglês. Só falo em PORTUGUÊS!
Na surda REVOLTA de quem já não suporta Governo arbitrário e Oposição incapaz, com o PS discutindo a liderança, escondendo ser origem do agudizar da crise, revoltam-se as PALAVRAS do uso indevido, destorcido, desbocado. Revoltam-se quando o governo rouba e diz austeridade. Quando na obsessão do dinheiro onera SCUT ou estrada a melhorar difíceis acessos, e leva o utente para estradas perigosas, degradadas ou em intencional degradação (ex.º EN 2 e 125) empurrando para as agora portajadas e as diz alternativa. Deixa degradar históricos edifícios, esperando a derrocada, para os vender a quem mais der e diz defender o património. Constrói barragens, destrói dunas e paisagem e à natureza revoltada, que mostra o erro, diz-se ecolologista. Nega a Pedagogia como empatia educador/educando, impondo megacentros antipedagógicos raiz do despedir de professores. Agudiza o desemprego, promove a recessão, descura a saúde, recusa direitos adquiridos de boa fé; tudo subordina à ideologia e esquece a política como arte de melhorar a vida das pessoas, não a própria.
Revoltam-se as palavras. Revolto-me e lembro a canção de António Maria com que Nat King Cole fez a deliciosa angústia da minha mocidade. Desiludido, sem esperança, vejo que quem prometeu democracia nos arrastou “numa noite tão longa, de fracasso em fracasso” e “hoje descrente de tudo [nos] resta o cansaço/ Cansaço [desta] vida, cansaço de mim./ Velhice chegando e [nós, meu PORTUGAL,] chegando ao fim.”




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