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Tanta falcatrua…

Numa paixão há sempre uns laivos de ingenuidade. E sendo o desporto uma das minhas paixões, não admira que me seja bastante difícil admitir que haja atletas envolvidos em grandes falcatruas desportivas. Aliás, só muito a custo dou a mão à palmatória nesta matéria. E quando sou forçado a reconhecer que há desportistas desonestos, sangra-se-me o coração. O caso mais recente que me obrigou a perder alguma desta ingenuidade tem a ver com Lance Armstrong – o vencedor-recordista da prova-rainha da velocipedia universal.

Pedro Álvares de Arruda
7 Fev 2013

Acusado por diversas vezes, e de múltiplas formas, de utilizar substâncias dopantes para poder chegar de “amarelo” aos Campos Elísios em sete edições do “Tour”, Armstrong sempre negou qualquer fraude. Até que o “herói”, com seca desfaçatez, confessou o(s) crime(s) num programa televisivo, desferindo no Ciclismo mundial uma tão hercúlea machadada que pode deixar este desporto agonizante durante anos!
Mas se me doeu este trágico “lance” de Armstrong, confesso que me não arrepiou menos outra “bomba” recentemente chegada aos jornais: várias ?guras que ocupam posições destacadas em diversas instâncias internacionais do futebol terão atribuído ao Qatar, de maneira fraudulenta, a organização do Campeonato do Mundo de 2022.
Segundo fundamentadas notícias vindas a público, alguns dos votos que se tornaram decisivos na escolha daquele pequeno país para albergar a maior competição mundial poderão ter sido comprados a troco de favores diversos. Michel Platini, presidente da UEFA, Angel Villar, presidente da Federação espanhola e alto dirigente da FIFA, e o então presidente de França Nicolas Sarkozy, são algumas das ?guras apontadas como tendo participado na… “negociata”!
Já antes, um antigo vice-presidente da FIFA, Jack Warner, havia insinuado a possibilidade de cinco membros do Comité terem recebido 20 milhões de dólares a troco do seu voto a favor do Qatar! E a verdade é que, na altura da escolha deste país para organizar o Mundial de 2022, quase não houve quem não tivesse manifestado estranheza pela decisão dos dirigentes eleitores. Trata-se, de facto, de um pequeno território, com um clima desfavorável, sem estruturas adequadas e sem historial no futebol. Aos mais céticos era dada sempre a mesma resposta: “o Qatar é su?cientemente rico para poder ultrapassar todas as di?culdades”. E, pelos vistos… “ultrapassou-as”!
Mas – como se não bastassem estes dois escândalos – eis que na passada segunda-feira outra “explosão” ocorreu: o diretor da Europol veio anunciar, em Haia, que esta polícia europeia já identificou cerca de 380 jogos de futebol (em 15 países europeus e com árbitros e jogadores envolvidos) cujos resultados foram combinados, gerando lucros de oito milhões de euros! Mais: segundo aquela polícia internacional, este tipo de crime incidiu também em jogos de qualificação para Mundiais e Europeus, bem como em “campeonatos de topo na Europa”…
Perante tudo isto, que poderá dizer (ou fazer) quem gosta realmente de ciclismo e de futebol?




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