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Evangelização do mundo da saúde

A mensagem de João Paulo II para o Dia Mundial da Saúde do ano 2000 tinha por tema «a nova evangelização e a dignidade do homem que sofre».Por diversas vezes, naquele texto, o Papa se referia à evangelização do mundo da saúde. A nova evangelização, a que diversos Papas se têm referido e constituiu tema do último Sínodo dos Bispos, é hoje uma necessidade premente em comunidades onde o Cristianismo floresceu, na área da saúde mas não só.

Silva Araújo
7 Fev 2013

Mantém-se atual o que João Paulo II escrevia em 22 de agosto de 2000 na referida mensagem: «Os hospitais, os centros para doentes ou para idosos, assim como cada casa onde são acolhidas as pessoas que sofrem constituem âmbitos privilegiados da nova evangelização, que deve comprometer-se em fazer com que precisamente ali ressoe a mensagem do Evangelho, transmissor de esperança».
 
Na área da saúde é imperioso que a nova evangelização contribua para que o doente descubra a forma de dar um sentido cristão ao sofrimento.
Penso haver três formas de o encarar: revoltando-se, aceitando-o estoicamente porque tem que ser, unindo-o ao sofrimento de Cristo.
Nenhuma destas três atitudes elimina o sofrimento. A terceira tem vantagens que as restantes não possuem e faz com que o dia passado numa cama de doente não seja uma perda de tempo mas contribua para que o paciente não sofra em vão. Ajuda as pessoas a participarem no mistério pascal de Cristo.
 
Há um sacramento para os doentes, a Santa Unção, nem sempre lembrado e nem sempre devidamente celebrado. Ainda há quem, levado por um mal entendido sentimento de compaixão, se recuse a falar dele. Há, penso, uma catequese que deve continuar a ser feita, embora em certas datas se promovam celebrações comunitárias da Santa Unção, até com cobertura jornalística.
A nova evangelização há de levar também os profissionais da saúde e quantos, neste setor, exercem a nobre missão do voluntariado – os bons samaritanos, de que fala Bento XVI na mensagem para o próximo dia 11 – a reconhecerem e respeitarem, sempre e em tudo, a dignidade do homem que sofre, que, mesmo em situação terminal, não deixa de ser uma pessoa criada à imagem e semelhança de Deus, com todos os direitos que as circunstâncias em que se encontra lhe conferem.
Um doente não deixa de ser um Cristo sofredor, à espera de uma Verónica que lhe enxugue o rosto, de um Cireneu que consigo partilhe o peso da cruz, de alguém que o ajude a partir, se for caso disso, de harmonia com a fé que deu sentido à sua vida. Às vezes, através de um gesto de carinho, de uma palavra de conforto, de uma atitude cheia de compreensão e de ternura. E isto, sempre. Não apenas em momentos festivos ou diante das câmaras de televisão ou do olhar dos repórteres.
 
A dignidade do homem que sofre exige se ponham em seu favor os  progressos da Medicina mas se não faça dele uma cobaia.
Exige se faça quanto é possível para que os cuidados de saúde sejam um direito de todos e não um privilégio de alguns. Que no atendimento aos doentes não haja discriminações. Que deixe de haver uma saúde para pobres e outra para ricos. Que se ponha termo à existência de listas de espera.
Exige se não considere o doente um objeto inútil que se deita fora, acelerando-lhe a partida para o outro lado da vida, como pretendem os defensores da eutanásia.
Exige se cuide de dar a quem sofre o conforto material e espiritual.
Não deveria haver hospital ou casa de saúde sem efetiva assistência religiosa. Não para impor nada ao doente, abusando da sua fragilidade, mas para que os crentes saibam poderem dispor dos apoios a que têm direito e que lhes não devem faltar. João Paulo II fala da assistência «total», atenta às necessidades biológicas, psicológicas, sociais e espirituais do doente e de quantos o circundam.
É preciso saber sofrer, mas também é necessário ajudar a sofrer e não ser nunca, para quem sofre, motivo de maior sofrimento.
A assistência na saúde não deveria ser nunca mais uma forma de comércio ou fonte de lucro mas um serviço que, dedicada e atentamente, se presta.
 
Na referida mensagem João Paulo II falava de um renovado impulso à evangelização do mundo da saúde como lugar particularmente indicado para se tornar um precioso laboratório do amor. E é o amor, e não interesses de qualquer espécie, que deve motivar quantos se movem nesta área, o que não significa que se lhes não reconheçam direitos que também devem ser respeitados. Agir com amor e por amor não significa que os profissionais não devam ser devidamente recompensados. É que também eles têm encargos e necessidades a satisfazer.




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