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Amor de Mãe

O que é o amor? Será que podemos, todos nós, viver sem amor? A mim, não me parece possível. As relações – sejam elas amorosas, de amizade, familiares – todas elas têm pontos em comum. Uns mais ou menos fortes, consoante o tipo de relação, mas existem. Têm de existir. A preocupação, a cumplicidade, o amor. O namorado preocupa-se com a namorada e vice-versa, os amigos idem. E os pais? Os pais devem preocupar-se com os filhos. Mas que tipo de preocupações são impostas aos pais para com os filhos?!

Marta de Oliveira Martins
7 Fev 2013

Há uns dias atrás, veio a público o caso de uma mulher que é mãe de dez filhos e que terá sido pressionada para fazer uma laqueação das trompas, de modo a não ter mais filhos. Como não cedeu à pressão, viu o Tribunal de Sintra ordenar que lhe fossem retirados sete dos dez filhos com vista à adoção, alegando que a progenitora é pobre em cuidados com as crianças. Será a pobreza razão suficiente para uma mãe ver serem-lhe retirados setes dos dez filhos para adoção? E o que é a pobreza? A pobreza é a carência, e muitas das vezes a ausência, de determinados cuidados para se viver de forma saudável. Mas de que tipo de pobreza é que se está a falar? Da pobreza de bens, de serviços, de acessos, ou da pobreza de espírito, de valores e princípios ou até mesmo de felicidade? Os filhos da mulher em causa, uma mulher de 34 anos, não apresentam maus tratos. Segundo a Segurança Social, para além da recusa da laqueação de trompas, a não apresentação de um comprovativo de emprego, a falta da assiduidade das crianças à escola, e da ausência de garantia de condições de higiene e vacinas em dia, foram as razões que levaram à retirada das crianças à mãe.
O cuidado para com os filhos não é só o dinheiro para os colocar numa boa escola, para consultas médicas particulares, para uma casa confortável, etc. Até porque todos nós conhecemos casos de crianças e jovens que têm tudo, acesso às melhores, e mais caras, escolas do país, têm tratamentos de saúde nos médicos privados, mas não têm o calor do amor e carinho dos pais. É bom que paremos para pensar. O que é mais importante para uma criança? Um brinquedo caríssimo e com o qual se deixa a criança a brincar sozinha, ou um, mais barato, e brincar a família toda junta? Que mundo e com que valores queremos deixar às nossas crianças, futuros adultos? Um mundo onde o parecer vale mais do que o ser? Os laços familiares desta família mostram-se fortes.
O Estado, a meu ver, não tem qualquer moral nem legitimidade para “pressionar” uma mulher, com saúde física e mental, a fazer uma laqueação de trompas. A mulher está no direito de fazer as suas próprias opções e nem se pode violentar desta forma. A laqueação não deve sequer ser aconselhada a uma mulher por esta não ter condições para criar os filhos. Não pode, de todo, significar contraceção. A laqueação das trompas é um processo médico e exige muita prudência e sensatez. Existirão, com certeza, outras soluções mais indicadas e adequadas a esta situação e objetivo. O planeamento familiar será a resposta mais correta, na minha perspetiva, e o acompanhamento e ação do serviço social são fundamentais. O serviço social tem de efetuar um papel mais ativo. Não vai ser, nunca, a solução fácil que vai resolver casos como este. Fechar os olhos às necessidades do ser humano e vê-los como marionetas, onde não têm oportunidade para serem livres, não pode dar bom resultado. A vida não pode ser vista, nem tratada com relatividade, nem indiferença. A vida é o bem mais precioso. E para ser bem vivida é necessário amor. E ao que parece, esta família tem.
Esta, absurda, imposição merece a reflexão (de todos nós) sobre que caminho se está a trilhar. O dinheiro não é tudo na vida, mas o amor é.




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