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A lei do hábito (I)

A vida humana contém em si um conjunto de hábitos, ou seja, uma sucessão de atos que se tornam, mais ou menos, automáticos. Um número elevado das coisas que muita gente faz é concretizado espontaneamente, isto é, por hábitos, embora a vontade humana, quando se quer, possa intervir, nomeadamente durante a fase da aquisição dos ditos comportamentos. Além disso, o homem, como ser racional e livre, tem sempre à sua disposição a capacidade de poder refletir e atuar sobre todas as suas atitudes.

Artur Gonçalves Fernandes
7 Fev 2013

No entanto, os nossos hábitos, bons (que podem constituir grandes virtudes) e maus (que podem ser vícios graves), desempenham um enorme papel na nossa formação e na nossa personalidade. Podemos dizer que o homem é um feixe de hábitos que suportam as qualificações para o sucesso ou para o insucesso da sua ação no dia a dia. Os homens formam hábitos e os hábitos formam futuros. Se não adquirimos deliberadamente bons hábitos, vamos inconscientemente criando hábitos maus. Nós somos o que somos de acordo com a natureza dos hábitos que criá-mos. As grilhetas do hábito são normalmente muito leves para serem sentidas até ao ponto de se tornarem fortes em demasia para serem quebradas. Quando se tem a vida cheia de maus hábitos, o único processo para se poder alterar essa maneira de ser consiste em formar outros hábitos que lhes sejam diametralmente opostos e que os irão substituir. É mais fácil livrarmo-nos de um mau hábito se cultivarmos um hábito bom. Quanto aos bons hábitos, as pessoas devem consolidá-los e melhorá-los para que a sua personalidade vertical se torne pétrea e indestrutível. O importante está em escolher o próprio esquema de pensamento e de atuação. É o homem que desenha os projetos do seu próprio futuro e seleciona os métodos pessoais. O homem faz o homem. Ninguém o pode fazer por ele. É um trabalho pessoal. O sucesso ou o insucesso não são acidentes ou acasos. A chave está na aquisição dos hábitos convenientes. Nunca é tarde de mais (nem nunca somos velhos de mais) para modificar os nossos hábitos. Devemos fazer a nossa autoinspeção como se faz a revisão de um motor que trabalha defeituosamente. Uma das ideias mais erradas que o homem pode alimentar é a de não poder (ou julgar-se velho de mais para isso) modificar-se radicalmente. Certas pessoas fazem poucas coisas levadas pela razão, muitas levadas pela paixão e a maior parte por hábito. Silenciosamente e sem dar conta, o homem vai formando hábitos que, por fim, irão determinar o grau do seu sucesso e da sua felicidade. Devemos vigiar, de perto, a qualidade dos nossos pensamentos, para que estes nos conduzam à aquisição de bons hábitos. Usemos para isso as grandes qualidades, tais como, a coragem, a fé, a humildade, a lealdade, a temperança e a integridade. Deixemo-las ser uma força ativa no nosso trabalho diário.
William Mathewes escreveu: “Bons hábitos de diligência, consciência, perfeição, método e meticulosidade, uma vez adquiridos na juventude são uma fortuna; entrelaçados nas próprias fibras do ser tornam-se uma parte intrínseca do indivíduo e asseguram o seu sucesso de um modo impossível de ser superado por ajuda de estranhos. Por outro lado, os maus hábitos, embora se adquiram rapidamente encravam para sempre as rodas da iniciativa e tornam difícil ou impossível qualquer progresso, para ruína e vergonha da sua vítima”. Os bons hábitos são os melhores amigos do homem. Eles continuam a fazer-nos companhia mesmo quando não pensamos neles. Aliás, desempenham um papel importante na nossa vida.




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