Fotografia:
A riqueza da nossa gastronomia

“O pai de Tomásia, erguia a toalha da mesa, onde almoçámos, às sete horas da manhã, sopa de ovos, salpicão, batatas ensopadas com toucinho e toucinho cozido com batatas, disse-me que sua filha estava casadeira e ele disposto a casá-la comigo, se eu quisesse.” Desde os tempos antigos, que a gastronomia é encarada como um excelente pretexto para a concretização de negócios. Neste excerto da obra de Camilo Castelo Branco “Coração, Cabeça e Estômago”, a boa mesa funciona mesmo como um atrativo para a realização de um casamento.

Isaura Costa
6 Fev 2013

Nos dias de hoje, a gastronomia continua a gerar bons negócios, mas entretanto ganhou uma nova dimensão. É, desde logo, uma mais-valia cultural e um fator de atração turística de excelência. O sabor dos produtos da nossa terra associado aos saberes dos nossos antepassados e à riqueza das nossas tradições fazem da gastronomia portuguesa um património histórico-cultural de valor incalculável.
Há pessoas que fazem centenas de quilómetros só para provar determinada especialidade ou comparar sabores. Quem ganha é o turismo, a economia, as pessoas e claro, o país!
Por isso, são sempre de louvar as iniciativas que têm como objetivo a preservação e a valorização deste património. É o caso da Quinzena Gastronómica de Vila Nova de Famalicão que está a decorrer até ao dia 15 de fevereiro, em vários restaurantes do concelho. A concurso estão iguarias como o Arroz de Cabidela, o Cabrito Assado no Forno, o Cozido à Portuguesa e os Rojões com Papas de Sarrabulho.
Neste mês de fevereiro, a boa mesa minhota é, sem dúvida, um excelente bálsamo reparador contra o frio e um tonificante para a alma.
O próprio romancista, Camilo Castelo Branco, apesar do seu aspeto franzino, era um grande apreciador da gastronomia minhota. Aliás, as referências às saborosas iguarias são bastante comuns nas suas obras literárias.
Por isso, se Camilo Castelo Branco vivesse o nosso tempo, por certo, não perdia a oportunidade de se deliciar com esta Quinzena Gastronómica. Por certo, Camilo visitaria todos os restaurantes, provaria todas as iguarias e no final escreveria um conto de fazer crescer água na boca.




Notícias relacionadas


Scroll Up