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A outra face da moeda

A questão da decisão do município em colocar mais cem ruas sob a situação de terem estacionamento pago em Braga tem suscitado inúmeras intervenções de políticos e afins. Devo dizer que, por princípio, considero válido o argumento de tirar o trânsito comum do centro da cidade, de alargar as áreas pedonais e de tornar menos congestionado o fluxo de carros e outros veículos para as zonas mais centrais da cidade. A ideia é boa, parte é de princípios errados.

Ramiro Brito
6 Fev 2013

Ora, as grandes cidades europeias têm adoptado políticas de restrição de circulação de viaturas nos seus centros históricos, favorecendo e estimulando o uso de transportes públicos. A verdade é que estas cidades dispõem de uma rede de transportes públicos eficaz e que dá resposta às suas necessidades, nomeadamente para quem usa esses meios para trabalhar. A questão passa também pelo facto de todo a concepção urbanística das cidades em causa estar planeada tendo em conta factores tão importantes e decisivos como a mobilidade.
Se há coisa que eu acho perfeitamente ridícula é tomarmos decisões com a mania de que somos grandes, de que somos equiparáveis a Barcelona, Madrid, ou outra cidade qualquer que está, obviamente, bastantes furos acima de Braga no que diz respeito a mobilidade, planeamento e concepção urbanística. É esse bacoquismo que tem levado o poder instalado a tomar decisões erradas consecutivamente.
Sejamos objectivos. A ideia é boa, volto a dizer, mas não aqui. A rede de transportes públicos em Braga não dá resposta às necessidades da população, sobretudo da que trabalha e precisa de mobilidade eficaz.
Não podemos cobrar estacionamentos no centro porque a situa-ção económica das famílias não permite essa despesa acrescida e não podemos ser fundamentalistas e achar que é por aqui que vamos alcançar o caminho do progresso social porque não podemos só tirar, temos de dar também.
Este permanente desequilíbrio que visa claramente a obtenção de mais receitas para a autarquia é o chamado “dinheiro fácil”. Cobramos directamente aos cidadãos e não reduzimos e nos tornamos eficazes no que devemos.    
Esses senhores que andam nas manifestações contra o aumento de impostos e depois tomam estas decisões nos gabinetes padecem de um mal terrível, a saber, hipocrisia crónica. Há outras formas de compensar as reduções de deslocações de verbas para as autarquias. Podem começar por aceitar e incrementar uma redução do número de freguesias real e sem preconceitos nem receios de ordem geo-
gráfico – política, podem nomear administradores competentes para aquelas empresas públicas que dão prejuízo ano após ano, redimensionar e reajustar modelos de gestão que permitam mais eficácia com menos recursos. Mais com menos…é este o caminho.
É óbvio que a empresa que ficou com a exploração é uma das tradicionais, mas também é óbvio que não vi ninguém questionar a legalidade do concurso. A verdade é que a discussão vem muito antes disso… a decisão política é errada mas a tomada de posição sobre esta matéria por parte dos políticos implicaria compromissos e isso eles nunca querem assumir.
Gostava de ter visto mais discussão sobre a solução em si e menos sobre o concurso e o facto de a empresa exploradora ser A, B ou C. É um dado curioso… os políticos tendem a focar-se no acessório para não se comprometerem com o essencial. Esta é a outra face da moeda!




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