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O regresso aos mercados

Às vezes não dá para acreditar por mais endurecidos e empedernidos que estejamos pela vida e pelos exemplos do comportamento político que a luta democrática nos foi proporcionando ao longo destes quase quarenta anos que temos de democracia parlamentar. Portugal conseguiu ir aos mercados com vantagens mais que evidentes para a economia; os partidos da oposição, só porque são da oposição, inventam razões para dizer o contrário, conseguem fazer interpretações estapafúrdias só para não valorizar o que fez o Governo; parecem que fazem uma santa aliança entre si para desvalorizar o sucesso! Não compreendemos.

Paulo Fafe
4 Fev 2013

O que compreendemos de uma oposição madura e consciente, duma oposição que coloque o interesse nacional acima do interesse ou interesses partidários, é que apoiasse esta ida aos mercados, que dissessem que é o princípio de um começo ou o princípio do fim e não que deitassem ao descrédito popular, aquilo que todos dizem ser uma vantagem nacional. Claro que esta ida aos mercados, que foi um sucesso real, não representa senão o primeiro degrau de uma escada que custosamente teremos de subir para voltar a encontrar a soberania que perdemos pela má gestão da última legislatura socialista coadjuvada pela conjuntura internacional que em nada ajudou, antes pelo contrário. Ainda bem que o primeiro-ministro vem alertando para a modéstia desta vitória e chamando a atenção para que se não entre em euforias. Na verdade nós estamos no vestíbulo de uma entrada, nem sequer temos as portas todas abertas, olhamos para dentro e não nos vemos lá, apenas nos consentiram espreitar; é bom que assim seja e pode significar que mais dia menos dia estaremos conjuntos com os que hoje usufruem de conforto de financiamento. Julgo mesmo, e com toda a sinceridade o digo, que ficou mal a toda a oposição e muito mal ao dr. António José Seguro pôr aquela cara de desapontado como menino a quem tiraram o rebuçado da boca. Eu sei que não lhe veio a jeito, nem o sucesso de irmos ao mercado, nem a compra por estrangeiros essencialmente dos dois mil milhões e meio de obrigações portuguesas; mas uma coisa são as clivagens internas do seu partido, outra coisa e muito mais importante é a imagem de estadista que deveria ter dado e não deu quando se referiu à ida aos mercados. Todos os portugueses sabem bem que o dinheiro só se transforma em postos de trabalho se for emprestado a juros baixos. E sabem também que esse dinheiro barato se encontra agora à nossa disposição, se continuarmos como meninos de juízo. Que o BE e o PCP, que são partidos doutro campeonato, onde não cabe a Europa, nem o liberalismo, arranjem argumentos para dizer mal, todos o sabemos de cor e salteado, agora o PS que vai ser Governo, sempre o será como alternativas, quando a alternativa se impuser, tenha atitudes radicais e até discursos utópicos a raiar a demagogia, é que o desacredita, não impõe, antes o indispõe perante a opinião pública. Aborrece que seja assim. Portugal não pode ficar sem uma alternativa credível e forte. Hoje é o PS, amanhã será o PSD. São o cais onde ancoram as esperanças da mudança, mesmo que os anos nos tenham demonstrado que o disco vira e toca noutra faixa com a mesma música. Mesmo assim, não podemos ficar sem este recuo ou teríamos de escolher um dos partidos minoritários, que não vejo como formariam Governo e como a sociedade portuguesa maioritariamente social democrata aceitaria ser governada por uma esquerda ou direita ultrapassadas pelo tempo e pouco aceitáveis ideologicamente.




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