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(in)Sucesso Desportivo em Portugal

Tenho para mim que o sucesso desportivo português tem dependido fundamentalmente do esforço, persistência e espírito de conquista de (alguns) atletas e treinadores. Quando me refiro a sucesso, falo das competições internacionais onde os atletas e equipas representam a equipa “Portugal”. Nestes palcos, onde nos medimos com os outros países, nomeadamente nos Jogos Olímpicos, os nossos resultados não têm sido brilhantes, temos até que assumir que são maus! Esta avaliação só tem um aspeto positivo, podemos melhorar facilmente! Mas como alterar esta pobre realidade dos resultados desportivos? Como melhorar o nosso desempenho? Como poderemos ter tantas medalhas como países comparáveis em termos de contexto sociocultural, económico, geográfico e populacional?

Fernando Parente
1 Fev 2013

Portugal tem cerca de 10 milhões e 500 mil habitantes, conquistou nos Jogos Olímpicos de Londres 1 medalha (prata), numa prestação excelente de Emanuel Silva e Fernando Pimenta na modalidade de canoagem, prova de k2, 1000m, como todos certamente se lembram. Nos mesmos jogos, a Hungria teve 17 medalhas, 1 para cada 586 mil habitantes (9.962.000 habitantes), a Dinamarca 9 medalhas, 1 para cada 620 mil (5.580.516), a Holanda 20, 1 para cada 836 mil (16.731.770), o Azerbaijão 10,1 para 911 mil (9.111.100), a Irlanda 5,1 para 917 mil (4.588.252), a República Checa 10,1 para 1.050.420 (10.504.203), e estes são apenas alguns exemplos para demonstrar que não há um padrão marcadamente comum relacionado com o nível de riqueza dos países, escolaridade, clima, sistema político, etc.
Após estes últimos Jogos Olímpicos, alguns dirigentes desportivos nacionais disseram que o problema do (não) sucesso desportivo tem a ver com o facto de não existir “cultura desportiva” no país, justificação que se percebe e até se aceita, mas eu chamaria antes a esta constatação: “inexistência de organização no sistema desportivo”! Em Portugal, são inúmeras as organizações que operam neste sistema e temos até uma regulamentação/legislação considerada exaustiva, mas também muito confusa! O problema em Portugal é mesmo de organização! No topo da hierarquia desportiva temos duas superestruturas que representam o associativismo desportivo (Federações) e ainda temos a Administração Pública e os responsáveis políticos governamentais. Na base da formação desportiva temos os tradicionais clubes e associações da sociedade dita civil e o desporto escolar do sistema educativo. Temos ainda as Autarquias que vão fazendo o que podem, ajudando e resolver alguns problemas de maior proximidade. Que grande confusão neste sistema claramente concorrencial! Claro que o problema é de organização! Como ninguém que ferir suscetibilidades ou perder o domínio sobre o seu quintal, estamos a demorar muito tempo a nos organizar e ter sucesso internacional, e que bom seria de vez em quando mais uma medalha para melhorar a autoestima nacional!
Não será fácil convencer alguns dos atuais atores e “donos” da situação desportiva a mudar, nem será muito possível discutir com estes os processos de melhoria e organização, será provavelmente uma perda de tempo discutir com quem não quer mudar! Pela via legislativa já percebemos que cada vez que se cria uma nova Lei para o Desporto o resultado é exatamente o mesmo, ou pior!
Alguém tem que dar o exemplo e avançar, somos um país pequeno e não será difícil trabalhar com menos estruturas, sem sobreposições e em complementaridade. Juntar o Comité Olímpico e a Confederação de Desporto de Portugal numa única entidade, como alguns países modernos e evoluídos já fizeram poderia ser um começo. Ter uma estrutura mais forte em que os seus associados se revissem, dando um contributo sólido e efetivo no âmbito do que deve ser o desporto, desde a base até ao alto rendimento poderia ser um bom começo. Veremos se brevemente alguém quer levantar “este véu”! 




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