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Inacreditável!

Quem sentiu, meditou e teve de viver o tempo antes desta terceira república, foi conhecedor das razões porque ela aconteceu na vida dos portugueses. São da história de Portugal os factos e, alguns ainda hoje sofreram ou beneficiaram dessas mudanças políticas. A primeira mudança (a república), logo após o derrube da monarquia deu origem durante quinze anos a anarquias, fome, perseguições e saques, sobretudo saques à Igreja, bem como corrupções duma ponta a outra do país. Desse modo, nasce a revolta nacional que, como se sabe, partiu de Braga até Lisboa com o apoio incondicional do povo.

Artur Soares
1 Fev 2013

Nesse tempo Portugal tinha Povo, poetas, escritores, filósofos, intelectuais de vários quadrantes económicos, sociais e políticos. Todos em qualquer canto falavam, escreviam, sonhavam e queriam um país melhor do que o de 1910 até 1926.
Atualmente, nesta terceira república, não existe o Povo, nem intelectuais, poetas ou escritores: só existe público. Público que aceita ser anónimo, acomodado com o que tem e com o que lhe falta. À exceção de instituições de caridade cristã que partilham bens materiais pelos espoliados e que vão alertando dos perigos ou do rebentamento de algo que espalhe fragmentos perfurantes, o Povo e os atrás mencionados, não existem.
O Portugal de hoje conhece bem, porque os elegeu, aqueles que com a lei nos gabinetes fazem os saques a quem produz; conhece os que em troco de dinheiro fácil passaram a certidão de óbito aos têxteis; os que desde a Abrilada se alimentaram e alimentam da grande manjedoura que é o orçamento do Estado; conhece as obras descabeladas que se fizeram e que não serviram para o bem económico do país; o Povo conhece a venda da não produção que fizeram na agricultura, na exploração do mar e na atualização da indústria nacional; o Povo sabe, sofre, vê e sente que os políticos que têm governado o país nestas três últimas décadas, confundiram “transparente” com trás parente, para meter a mão no pote, isto é, no bolso dos pobres, uma vez que a classe média já não existe! Sempre assim foi: os indiferentes são pouco ou nada amados; os beneficiados do sangue e do suor dos indefesos são temidos e bajulados; e os sérios e competentes são extorcionados.
Ninguém desconhece (hoje) a rapinice feita por uma dúzia, que empobreceram os cofres do Estado e a Banca em proveito próprio e gozam tranquilos à sombra de árvores frondosas, sem que os Tribunais lhes façam justiça e exija o retorno de tal pilhagem à Nação.
E como ninguém tem dúvidas que Portugal tem sido governado por inferiores e malfeitores que (provocaram) provocam toda uma onda de subserviência, de dependência nacional e de política oca, injusta e nauseabunda… os inteligentes da política, da seriedade e da competência, fecham-se e colocam-se debaixo dos telhados para não serem conspurcados por tão fraco e tamanho odor.
Perante tal constatação, realidades, e com o sofrimento de quem por vezes desabafa nas páginas de um jornal, sabe que a fatura a pagar são o de se acreditar em oportunistas e de se não saber escolher servidores políticos e superiores.
Já o afirmou Platão centenas de anos antes de Cristo, ao escrever que “há tantos burros no poder a mandar em homens com inteligência, que, às vezes, fico a pensar se a burrice não é uma ciência!”
Pelo que se prevê e se sofre na carne, serão milhares os candidatos a dormir em albergues, em recorrer aos bancos de alimentação e de vestuário e o da convivência em jardins públicos, entre outros, sem dentes e de bengala na mão.
Toda a verdade pode ser dura, mas liberta a quem a conhece.
O povo, nós portugueses desta terceira e mentirosa república, parece ter o atrevimento de preferir ouvir os falsos profetas aos verdadeiros, por aqueles venderem doces mentiras e organizadas mentiras: caras, sem seriedade e sem inteligência. Inacreditável!




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