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“Contra a força dum polícia, que é bruto”

A indignação é um direito inalienável de qualquer pessoa ou povo. O grau da sua manifestação deverá variar na razão direta ao da sua motivação! Os governos (mesmo aqueles que alegadamente reivindicam legitimidade democrática) quando enveredam por modelos governativos terroristas – porque lesivos dos interesses nacionais e das populações e com práticas que induzem ao permanente receio coletivo – merecem ser confrontados com a indignação expressa com a adequada veemência.

A. Gradim Rocha
1 Fev 2013

O uso de meios contundentes deverá ser equacionado sempre que, numa atitude de autoridade paternalista e com laivos fascizantes, esses governos, para pretenderem legitimar a sua acção, chamarem as forças repressivas que os suportam a actuar, sendo certo que, também elas, são vítimas desses mesmos modelos. (“Desabafos” 02/12/2010, Diário do Minho)
 Ao ligar a televisão, fui surpreendido pelas imagens que permitiam visualizar a coragem que um polícia demonstrava ao imobilizar, sozinho e de arma na mão, cinco perigosos bandidos, presumi eu. Alinhados e deitados de rosto para baixo, no chão, quase me fizeram lembrar os momentos que antecedem a pesagem dos peixes nos campeonatos de pesca grossa. Por que haveriam estes delinquentes de merecer tratamento diferente do dispensado aos peixes ou mesmo aos javalis, aquando das montarias, e como poderíamos nós, cidadãos de bem, agraciar tão abnegada e garbosa atua-ção policial? O operador de câmara abriu o zoom e, chocado, percebi que a realidade era outra, bem menos elogiosa. Na realidade quase me havia esquecido que estava a decorrer a greve dos camionistas e que, zelosamente, a polícia se havia colocado entre os grevistas e os superiores interesses do governo, quase no mesmo momento em que um casal de velhinhos estava a ser violentamente assaltado, uma jovem era violada e uns quantos estabelecimentos comerciais eram assaltados, tranquilamente. Indignado, mudei de canal.
O alinhamento noticioso do canal a que acedi, coincidentemente, realçava a justa luta dos polícias que, junto à residência oficial do primeiro-ministro, ostentavam crachás e cartazes onde, entre outras mensagens, se podia ler que os polícias começavam a ficar à rasca. Fiquei sem perceber se esses cartazes aludiam ao estado de alma dos que os empunhavam ou daqueles que, por detrás das barreiras, estabeleciam a ordem. Pesaroso, refleti sobre o que é a ordem e sobre quem está incumbido de a fazer respeitar. Lembrei-me dos secos e dos molhados agora na nova versão de fardados e desfardados. Estabeleci a relação entre este quadro e o quadro anterior e questionei-me: quem são estes homens? Para que servem? Quem os comanda?
De facto, a frequente divulgação nos média dos excessos policiais faz supor que, eventualmente, não estarão a ser respeitados os critérios de seleção que deverão estar subjacentes ao seu recrutamento e que deverão assentar, para além da demonstração das suas destrezas físicas, numa estrutura psicológica consolidada e alicerçada em três pilares fundamentais: respeito pelos cidadãos, respeito por si próprios e respeito pela hierarquia.
 A instituição policial parece ter esquecido que o seu dever primeiro é para com os cidadãos que optaram por, através do seu trabalho e por via dos seus impostos, pagar a quem lhes garanta a segurança necessária para o poderem fazer (…) sendo lícito pressupor que os seus agentes deverão dar inequívocas provas da sua serenidade comportamental e da sua solidez psicológica. É também lícito exigir às suas chefias que determinem tipificações de atuação na justa proporção que a origina e onde o uso da violência, seja ela de que tipo for, constitua a última das hipóteses. Choca o aparente prazer em humilhar e mutilar que perpassa pela atuação e pelo fácies dos agentes (…) fazendo supor que, alguns deles, retirarão um sádico prazer (…) pela gratuitidade da sua intervenção. Tal atitude distancia-os, inexoravelmente, da representação da autoridade e remete-os, tão-somente, para o outro lado.
Urge conferir autoridade ao agente e retirá-la do cano das armas ou dos bastões, bastando para tanto poli-los, como se armas fossem! (“ Desabafos” 20/03/2011, Diário do Minho) Crianças e jovens adolescentes depararam-se com a brutalidade policial à porta de uma escola onde é suposto ouvirem “falar do homem novo” e “aprenderem a ser homens”. O ministro que tutela as polícias foi secretário de estado da juventude e é natural de Braga. Talvez não fosse despiciendo ouvi-lo dizer, na sua terra e para as suas gentes, que “se a porrada vier, não deixo”!




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