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O futebol de mal a pior…

No fim de semana passado o SC de Braga perdeu com o Benfica. Independentemente dos erros da arbitragem (o pior dos quais transitou da semana anterior, como se sabe), a verdade é que o Benfica ganhou com justiça. Pelo menos é esta a minha opinião de bracarense. Aliás, devo dizer que as derrotas do nosso clube nunca serão notícias tão más como duas outras que surgiram nos últimos dias. Estas sim, devem ser motivo de reflexão.

Manuel Cardoso
31 Jan 2013

Um jornal francês descobriu indícios bastante evidentes de um gigantesco escândalo relacionado com a atribuição da organização do Mundial de 2022 ao Qatar. A decisão terá sido tomada em função de contactos suspeitos entre Platini, o presidente Sarkozy e os promotores da candidatura. Se isto se confirmar estaremos perante um dos maiores escândalos de sempre do futebol mundial.
Platini, que tem adornado toda a sua atividade de dirigente com discursos moralistas, pode ter neste caso a queda de uma máscara que tanto tem prezado.
Por todo o lado somos com frequência confrontados com notícias relacionadas com a corrupção; atrevo-me a afirmar que este é um dos grandes problemas atuais da humanidade e uma das causas das tremendas desigualdades e injustiças com que é feito este mundo dito civilizado. Mais uma vez, é o futebol a espelhar o mundo em que vivemos. E mais uma vez é o jornalismo (que tanto tenho criticado por outros motivos) a funcionar como verdadeiro veículo de justiça. É caso para dizer que se não for o jornalismo a investigar este tipo de crimes, não será nunca a justiça a descobrir tais verdades.
Mas, nestes últimos dias, houve notícias ainda mais terríveis: no Egipto, na época passada, tinham morrido num estádio de futebol, 74 pessoas. Agora, menos de um ano depois, um tribunal egípcio condenou à morte 21 pessoas, alegadamente responsáveis pela tragédia. Ou seja, aumentou os números da desgraça para 95 vítimas. Na sequência dessa decisão, verificaram-se confrontos violentos que vitimaram mais 32 pessoas. Por outras palavras, a decisão do tribunal adicionou 53 ao número de vítimas!
A pena de morte, abolida em Portugal em 1851 por D. Maria II, é ainda em muitos países (muitos deles ditos desenvolvidos) um recurso legal para punir crimes considerados graves. Mas não só continuamos a verificar a ineficácia dessa medida como, em casos como este, fica bem visível que tal violência só acarreta ainda mais violência.
Triste é que o futebol, que foi inventado para distrair e divertir, seja motivo para barbaridades como esta.
Se é para aqui que caminha o futebol (para a corrupção e a violência) mais valia acabar de vez com as competições profissionais.
Podem os leitores advogar que estou a tomar o todo pela parte e que o futebol é muito mais que violência. É verdade. Mas também é verdade que o lado negro do futebol não se limita a estes dois casos extremos; a violência está aí nos nossos estádios, a corrupção é um iceberg bem escondido nas águas negras do nosso desporto profissional e todos nós assobiamos para o lado…




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