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Braga e as eleições autárquicas…

Daqui a um ano, sensivelmente, o município de Braga terá um novo presidente da Câmara. A impossibilidade legal de o Eng. Mesquita Machado se poder recandidatar à gestão da edilidade bracarense a isso obrigará. E, assim, após quase quatro décadas, Braga passará a ter um novo “rosto” à frente dos seus destinos públicos. Não é este o local apropriado ­– nem por ventura o tempo oportuno – para se fazer uma avaliação criteriosa do desempenho autárquico do Eng. Mesquita Machado. Mas, independentemente das posições favoráveis ou desfavoráveis que a sua gestão possa suscitar, julgo ser incontroverso que deixa a sua “marca” indelevelmente gravada na cidade e no concelho – e que será recordado, para o “bem” e para o “mal”, por longo tempo.

Victor Blanco de Vasconcellos
31 Jan 2013

Uma gestão administrativa e política de 37 anos, resultante de dez mandatos sucessivos, não é passível de balanços minimalistas. Mas não andarei muito longe da verdade se disser que três das mais relevantes “marcas” que a presidência de Mesquita Machado deixa na cidade e no concelho assentam no aumento do imobiliário, na ampliação da rede viária periférica e na difusão do saneamento básico (este último, incidindo sobretudo na zona “rural” do concelho).
Em qualquer destas três áreas – todas elas politicamente muito “sensíveis” –, a gestão do atual presidente não foi consensual. Mas, independentemente de ser alvo de pertinentes críticas ou de untuosos elogios, a verdade é esta: pelo menos a médio prazo, o futuro de Braga estará fortemente marcado por estes três “registos” de desenvolvimento – e pouco haverá a alterar nessas áreas no próximo mandato. Mais que não seja porque são rubricas de custos assaz dispendiosos e vivemos num período de “vacas magras”…
É por isso que a saída do Eng. Mesquita Machado da presidência da autarquia (seja ela definitiva ou temporária…) marcará o fim de um ciclo. Digno de grandes aplausos para uns, merecedor de muitos reparos para outros – mas será o termo de um ciclo. E laborará em elementar erro de análise política quem considerar que a população deste concelho ratificará nas urnas um projeto de ação semelhante ao do ciclo que agora se conclui!
Assim, seja qual for a força partidária que vença as próximas eleições autárquicas em Braga, terá de encetar um novo (no sentido de “diferente”) plano de desenvolvimento concelhio (e citadino) para a próxima década, iniciando um ciclo bem diverso daquele que se fecha no final de 37 anos de uma liderança que teve o seu ponto de apoio no “tripé” imobiliário-rodovias-saneamento.
Creio mesmo que só vencerá as próximas eleições autárquicas quem apresentar aos eleitores bracarenses um credível e consistente projeto para o concelho que assente em pilares de desenvolvimento bem diversos daqueles em que se firmou a gestão municipal do Eng. Mesquita Machado. Porque a esperança num “novo ciclo” também reverte efeitos de natureza psicológica junto do eleitorado – e não me parece que este dê a vitória a quem quiser fazer “mais do mesmo”.




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