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A lei da mudança (III)

Todos sabemos que o mundo atravessa grandes dificuldades. No entanto, poucos veem que os nossos problemas surgem das operações naturais da lei da causa e efeito. No esforço precipitado para fazer avançar o progresso a todo o custo, temos violado muitas leis e abusado de muitos direitos. É o que se passa com os vários governantes e responsáveis pelo destino dos povos. Quantas vezes é que eles tomam decisões e publicam leis que retiram direitos, injusta e escandalosamente, aos mais fracos e às classes médias, deixando-os numa posição em que não podem cumprir os seus compromissos corretamente assumidos, nem os seus deveres mais elementares.

Artur Gonçalves Fernandes
31 Jan 2013

São as consequências lógicas do lema ou da estratégia do “custe o que custar” e do “ai aguenta, aguenta”! Assim se empobrece e lança para a dependência da esmola dos outros milhares de pessoas, enquanto que as classes mais influentes e poderosas continuam a auferir salários chorudos e reformas avultadas, muitas vezes injustas, subsídios e prémios pelo que não fizeram ou até pelo que fizeram mal. Onde está a distribuição honrosa das riquezas sócias? Onde mora a justiça distributiva? Por isso, Jesus Cristo, que sempre lutou contra os exploradores e contra toda a espécie de injustiças, previu, como Deus que era, que “pobres sempre os havereis de ter”. Ele sabia que sempre havia de existir governantes, empresários, gestores, autarcas e outros responsáveis pelas comunidades, incompetentes e sem escrúpulos que, com a sua ganância e relações de compadrio, iriam abusar do comum dos mortais que se sentem impotentes para alterar essa situação. Desta casta de pessoas também fazem parte alguns trabalhadores que, pela sua postura pouco ética, contribuem para o insucesso das suas empresas ou patrões, quer pelo seu pouco interesse e zelo, quer por serem corruptíveis e propensos a favores e conluios. Nem a pobre democracia representativa tem conseguido alterar este estado de coisas. No entanto, nós, como homens livres que somos, devemos lutar, com todos os meios legais ao nosso alcance, contra todas as situações de injustiça a que diariamente assistimos. A natureza pede-nos responsabilidades por todos os erros cometidos e castiga-nos tirando-nos a segurança interna e fazendo-nos ver realidades bem desagradáveis. Estamos a viver uma época de intenso e célere progresso, que, infelizmente, também contém muita confusão, melancolia, apreensão, desnorte e desrespeito pelos mais elementares direitos humanos. Este mundo, em permanente transformação e já globalizado, aproxima as pessoas de todas as nacionalidades e continentes, tornando cada vez mais imperativo o conhecimento mais profundo dos outros e o trabalho incessante pela solução pacífica dos problemas gerais. Mudar mal e mudar para melhor são duas coisas diferentes. Temos que ter presente que há verdades autênticas da natureza humana que nunca mudam. O facto de uma coisa ser antiga não é sinónimo de irrecomendável. Há coisas que não envelhecem e a razão disso é serem princípios fundamentais pelos quais o homem se rege. Não são velhos nem novos. São sempre atuais. Há coisas imutáveis e insuperáveis. O que muitos esquecem é o facto de que nem sempre uma alteração é sinónimo de progresso. E também é espantoso como se podem fazer tantas modificações sem nenhum progresso e sem proveito para a humanidade! No entanto, a variação ou mudança traz consigo um elemento do desconhecido, do não experimentado, tendo, por isso, uma certa percentagem de risco. “Ainda não passaste por este caminho” – disse Josué. Cada volta do caminho traz surpresa. A estrada da vida só se revela à medida que vai sendo percorrida. Devemos ter sempre a expetativa como companheira de viagem, para ter uma vida digna de ser vivida.




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