Fotografia:
Que ninguém esqueça!

Assinalou-se no passado domingo, dia 27 de janeiro, o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto que foi criado pela Assembleia-Geral das Nações Unidas, através da resolução 60/7 de 1 de novembro de 2005. Esta data também foi designada como Dia Europeu de Memória do Holocausto, pelo Parlamento Europeu, nesse mesmo ano. O Governo, através de uma nota do Ministério dos Negócios Estrangeiros, assinalou a trágica efeméride lembrando também a memória dos três diplomatas portugueses, Aristides de Sousa Mendes, Carlos Sampaio Garrido e Alberto Teixeira Branquinho, que ao arrepio das ordens do regime do Estado Novo salvaram milhares de vidas durante a II Guerra Mundial.

J. M. Gonçalves de Oliveira
29 Jan 2013

Nunca será demais lembrar os crimes hediondos cometidos sobre judeus, ciganos e outros povos. Crimes que não pouparam mulheres e crianças com crueldade sem limites. Evocar os milhões de vítimas da exterminação nazi é uma obrigação de todas as nações livres, para que a maior monstruosidade do século XX jamais se venha a repetir.
Neste necessário assomo de memória, não será descabido rever a História e estudar os caminhos que conduziram os carrascos do regime nazi a tanta malvadez. Da mesma maneira, reconhecer que estes horríveis acontecimentos tiveram lugar há poucas décadas e que, ainda hoje, podem ser atestados por testemunhas vivas, será outro modo de defender e preservar a paz que hoje vivemos no continente europeu.
No momento em que a União Europeia vive uma profunda crise de valores que estiveram na génese da sua formação e demora em recuperar o rumo que lhe permitiu o progresso conhecido, é bom não esquecer os anos negros da Humanidade.
Com a Europa tardando em reencontrar o rumo que lhe permitiu mais de meio século de paz e de enorme desenvolvimento, com o norte de África e o Médio Oriente em efervescência, com a tensão presente entre as duas Coreias e os ressentimentos nunca apagados do Japão e de alguns países do sudeste asiático, mais sentido faz colher os ensinamentos do passado. Mas, ao contrário do passado, se atendermos à alteração na política externa de Barack Obama, é importante que os europeus não esperem o auxílio dos Estados Unidos da América. A sua vontade de retirar do Iraque e do Afeganistão e a intenção de reduzir a presença militar noutras paragens são sinais significativos dessa mudança.
Neste contexto, onde um pouco por todo o lado não faltam focos de inquietação que de repente se podem transformar em terríveis pesadelos, será importante que cada um de nós não deixe de fazer esta reflexão. Assim, estará a contribuir para a manutenção de uma consciência coletiva capaz de impedir novas barbáries.
Ao recordar o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, que ninguém esqueça, porque é fundamental:

Mais do que assinalar é recordar
lírios roxos e rosas encarnadas
sumidos em arenas bem guardadas
em que só o terror podia entrar.

Onde os gritos de dor dilacerantes
ecoando da voz dos perseguidos
traziam ao silêncio dos sentidos
imagens tenebrosas e chocantes.

Já tudo acabou, vamos celebrar!
Ou haverá quem guarde essa bandeira
esperando o momento de a içar?

Não tenho esta certeza! É bom lembrar
a arma que de gente faz poeira
e que gente de mais já pode usar.

Esta é outra forma de recordar os milhões de vítimas do Holocausto. Mais do que um simples exercício de memória, é um tributo de homenagem a todas elas, mas especialmente às crianças inocentes que naquela infernal circunstância perderam a vida. Vida que, mesmo na sua cândida pureza, a brutalidade do homem não foi capaz de respeitar.




Notícias relacionadas


Scroll Up