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Acabar o túnel do Marão mas desistir do Tua

1 – Anda o povo carregado com impostos mas ninguém manda cancelar o disparate que é a barragem do Tua…). Quando há 1 ano e meio entrou, com fama de redentor, o actual governo PSD/CDS, foi ouvida com agrado pelo povo pensante de Portugal a adequadíssima (mas vaga) promessa de que “iriam ser revistas as PPP”. Nada mais justo. É que o sistema das PPP, salvo erro inventado na Inglaterra, é um esquema bastante duvidoso que garante sempre o lucro dos privados, mesmo que o Estado tenha prejuízos. Além de que atira o pagamento da obra para gerações posteriores, onerando por décadas o Orçamento. E cria assim a ilusão de que obras caríssimas se tornam “baratas” e que “não somos nós a pagar”.

Eduardo Tomás Alves
29 Jan 2013

Além disso, à sombra da falsa vantagem que dá, lançam-se projectos megalómanos e sem interesse. E em Portugal foram lançados muitos, sobretudo no que respeita a auto-estradas e a barragens em rios secos (Tua e Sabor). As quais só funcionam com criação de novos e dispendiosos parques eólicos em zonas nobres de paisagem intocada. E tudo isto num país turístico como o nosso, que devia olhar para o turismo rural com muito mais atenção. Um desastre, enfim…
É por tudo isto que sempre pensei que uma PPP como a da barragem na foz do majestoso e cénico rio Tua fosse das tais que seriam revistas. No caso até, cancelada, porque economicamente in-
viável e fortemente impactante. Contrárias ao interesse pátrio, contudo, as pressões de Motas, Espíritos Santos, Somagues e da chinesa EDP têm até agora tido mais força que a Razão.
2 – Não há dinheiro para o túnel do Marão mas há para uma barragem no Tua…). Ao mesmo tempo que aqueles “lobbies” têm insistido nos destrutivos e inúteis projectos hidroeléctricos do Tua e Sabor, o tão necessário túnel do Marão está parado por falta de verbas desde há cerca de ano e meio. Há dinheiro para o que é tolo, inútil e destrutivo e não há para o que é útil. Explico melhor. Também a nova A4 (ou Auto-estrada Transmontana, que foi feita em cima da cénica e ainda tão prestável via de 3 pistas, o IP4, destruindo este último) foi um projecto caríssimo, desnecessário, impactante e extemporâneo. Só que, ao fim de 4 anos de transtornos e perigos, a A4 está quase toda feita. Com excepção do troço de Murça e também precisamente do túnel do Marão, perto de V. Real. É que, se alguma (pouca) falta fizesse a nova A4, era precisamente no atravessamento do Marão, a única serra de todo o trajecto. Para mais, o brutal investimento já feito em muitos e gigantescos pilares e longos viadutos de ambos os lados da serra, faria crer que, estivéssemos nós num país sério, evoluído e consequente, não faltaria dinheiro para o túnel. Aquilo que por economia e por decência teria de esperar, seriam as tais barragens do Tua e Sabor.
3 – A persistência de um “Socratismo sem Sócrates”). Totalmente inesperada é esta continua-ção das políticas despesistas do Socratismo embora minimamente corrigidas pelo actual governo do PSD (mas faltando ao prometido na campanha eleitoral, além de contrariarem o próprio espírito do “memorando da Troika”). A prometida revisão ou cancelamento das PPP é insignificante. Tudo aponta para a validade da tese do dr. Paulo Morais, que demonstra por A + B que somos governados pelos grandes empreiteiros que financiam os 2 partidos que se revezam no Poder, PS e PSD. Quem manda são eles, através do “bloco central”, sistema que tem alguma semelhança com o desacreditado “rotativismo” progressista-regenerador que contribuiu para a outrossim nada democrática revolução republicana de 1910.
4 – Para mim, parques eólicos e barragens em rios grandiosos é selvajaria). Temo que se alguma vez houver enchimento do fantástico desfiladeiro que é o vale do baixo Tua por águas de uma barragem, isso signifique para mim o fim da minha adesão (sempre relativa) ao actual Regime nascido em Abril de 1974. Nunca poderei pactuar com uma barbárie deste quilate. Já basta o que fizeram ao igualmente notável baixo rio Sabor. E o que fizeram (e querem continuar a fazer) ao semear todas as nossas serras com parques eólicos. Já nem falo da Descolonização. Nem dos incêndios e eucaliptos. Nem da perda da nossa moeda, o Escudo e de “parte” da soberania (com Maastricht). Nem da bancarrota do alegre Sócrates e de por via dela nós todos andarmos carregados de impostos. Digo é que, para mim a eventual destruição do vale do Tua pode significar o toque a finados do actual Regime. Não se pode brincar com coisas sérias. É que nem sequer é o paredão que já conta. Mas sim os 20 kms de vale que querem alagar.




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