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60.o Dia Mundial do Leproso – 27 de Janeiro

A lepra é uma doença infecciosa crónica, originada pela “Mycobacterium Leprae”. Esta doença manifesta-se através de manchas na pele e afecta a membrana que cobre o corpo dos seres humanos, bem como o sistema nervoso periférico, causando úlceras, mutilações dos nervos, cegueira e, no limite, a morte. Os sintomas podem só aparecer vários anos após a infecção, visto que o período de incubação da doença é muito grande – entre dois a sete anos.

Maria Fernanda Barroca
26 Jan 2013

Esta enfermidade também é conhecida por doença de Hansen, apelido do médico norueguês que, em 1873, identificou o bacilo que origina a lepra.
Ao contrário do que se pensou durante muitos séculos, a lepra não é hereditária, embora seja contagiosa e continua a atingir os países mais pobres, designadamente em África, na América Latina e na Ásia. Nestas regiões estima-se que afecte mais de um em cada dez mil habitantes, o que faz com que seja considerada um grave problema de saúde pública.
Datam de há muitos séculos as primeiras referências à lepra. Porém, só em 1940 é que surgiu o primeiro medicamento (um composto de sulfona) que conseguiu travar a expansão da doença. Ainda assim, o remédio não era capaz de a tratar definitivamente.
A cura para a lepra só foi possível a partir de 1980, graças à poliquimioterapia (PCT). Foi possível tratar e curar milhões de leprosos, reduzindo em aproximadamente em 70% o total de 25 milhões de infectados em todo o Mundo. Refira-se que, nos dias que correm, o tratamento de um leproso na fase inicial custa apenas 25 euros.
Há anos atrás, muita gente que passava na antiga estrada nacional Porto-Lisboa, quase tinha medo de respirar ao passar perto do Hospital Rovisco Pais (Tocha), Isto porque tinham na sua mente aquelas cenas de ostracismo a que eram votados os leprosos nos tempos antigos. As mesmas ideias erradas deram-se nos tempos actuais relativamente ao vírus da Sida.
Felizmente que um maior conhecimento, não faz com que a doença deixe de ser contagiosa, mas os medos de contágio diminuíram. O contágio só se dá em determinadas circunstâncias.
Razões de amizade ligam-me a uma Senhora, irmã de uma Doroteia, actualmente com 94 anos, que dedicou parte da sua vida ao cuidado dos leprosos – estou-me a referir à Irmã Maria Rita Valente Perfeito e por isso o meu interesse disparou.
Mas falar em leprosos e não falar em Raoul Folleraeau seria uma injustiça. A seu pedido foi instituído pela ONU, em 1954, o Dia Mundial do Leproso, com o objectivo de alertar a população mundial para a situação de miséria e sofrimento dos 25 milhões de pessoas afectadas pela lepra que existiam nessa altura em todo o mundo.
Raoul Follerau nasceu a 27 de Agosto em Nevers (França). Estudou Filosofia, Direito, Poesia e Jornalismo. Um dia, em 1935 quando fazia uma reportagem como jornalista no Níger (África), encontrou um grupo de pessoas cadavéricas, andrajosas, completamente abandonadas e excluídas. O espectáculo emocionou-o e fê-lo concluir que há pessoas que, por serem doentes, são excluídas da sociedade. O guia que o acompanhava disse-lhe que «eram leprosos».
A partir daí lutou durante toda a sua vida (morreu a 6 de Dezembro, em Paris, com 74 anos). Lutou pela defesa dos direitos e da dignidade das pessoas com lepra.
Em 1925 casa com Madeleine e os dois dedicam-se ao serviço dos leprosos.
Esteve em Portugal por duas vezes: 1957 e 1966 e visitou o Hospital Rovisco Pais na Tocha.
A Organização Mundial de Saúde recomenda, desde a década de oitenta do século XX, o tratamento atempado, actual, rápido e eficaz para a erradicação da lepra. A actual qualidade de vida das populações têm vindo a degradar-se e assim a lepra encontra-se a alastrar.
Para terminar faço um apelo às Autoridades ligadas à Saúde em Portugal (espero que não caia em saco roto), para que se preocupem mais com este problema.




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