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Navegador português

“Sou um navegador português, um descobridor”, esta frase da autoria de um treinador português, que amanhã é aniversariante, completando 50 anos, releva algumas características extraordinárias, no contexto em que foi proferida, mas acima de tudo como espelho da sua personalidade. Podemos, eventualmente, não apreciar a forma como José Mourinho se mexe no seio do futebol, mas que de facto a sua personalidade e o seu percurso profissional são especiais, ninguém o pode negar. Podemos achar que é vaidoso, tímido, lutador, manhoso, astuto, visionário, arrogante, mas todas essas características, tantas vezes imputadas à sua personalidade, não lhe podem retirar o mérito da sua capacidade e inteligência comportamental.

Carlos Dias
25 Jan 2013

A verdade é que os tempos lhe são difíceis, o campo está constantemente a ser minado por todos os seus inimigos e, particularmente, pela cortante imprensa espanhola, com a realidade a ser muitas vezes deturpada. Em suma, está longe de vivenciar tempos de conforto, mesmo com os bons resultados obtidos (ainda que não sejam extraordinários). Mas José Mourinho sempre gostou dessas tormentas. Ele sabe que não pode ser igual a outras etapas da sua carreira e nem usar as receitas e métodos de outrora, pois isso poderia ser um erro fatal.
Nos tempos que correm, já não chega a ideia de trabalhar em equipa, é preciso tornar o trabalho em equipa não apenas numa ideia gira, mas numa postura eficaz e, claro, predispor todas as partes da estrutura de um clube para isso. É provavelmente aí que residem muitos dos problemas que ele enfrenta no Real Madrid. Quem lidera equipas facilmente entenderá isto, mas atualmente já são pedidos muitos e exigentes esforços para construir uma equipa. Fazer crescer um aglomerado de pessoas até se tornar uma equipa, não é muito fácil, mas está tudo conectado com a forma e a gestão da liderança, recursos disponíveis, dedicação das partes, recursos temporais, do peso do dinheiro e da capacidade dos processos de grupo.
No livro “A arte da guerra”, Sun Tzu apontou cinco condições para conduzir à vitória: “…aqueles que comandam com autoridade uma estrutura de poder unificada; aqueles que conhecem o caminho; aqueles que conquistam muitos adeptos; aqueles cujos colaboradores próximos estão em harmonia e aqueles que avaliam os inimigos e anteveem as dificuldades.”
José Mourinho já, por diversas vezes, demonstrou que a sua capacidade na liderança, da “nau” e em viagens aventureiras, é ímpar, pelo que não tenho dúvidas que isso o fará chegar longe. Contudo, a complexidade da situação dentro do clube leva-o a ter que enfrentar alguns ventos, originados no seio do seu grupo (eventualmente, que não dos seus jogadores). A imprensa espanhola tem exacerbado negativamente algumas atitudes e afirmações do treinador português do Real Madrid, que são absolutamente normais e legitimas na gestão de qualquer grupo, mas que ao lhe darem uma nova “roupagem” e interpretação facciosa, levam os leitores a ideias falseadas, tal como aconteceu com Di Maria.
Numa equipa de “cobras milionárias”, o treinador português sabe que não ganhará nada com o conformismo. Sabe ainda que os campeões são feitos de desejo, de uma visão e de uma vontade vinda de dentro. Os grandes campeões não podem ficar contentes só com a habilidade. Muhamed Ali, pugilista de eleição, disse um dia, “A vontade deve prevalecer sobre a habilidade. Ninguém consegue vencer sem vontade.” Todo o mundo do desporto deveria entender muito bem estas palavras, e muito mais os atletas e sócios do clube espanhol, pela sorte de ter um treinador competente e inconformado com o que já conseguiu…




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