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Impercetibilidades

Não dá para perceber. Sem dúvida. O país está mesmo de pernas para o ar e não se vislumbra no horizonte político do arco da governação o aparecimento de homens determinados e audazes, capazes de gerar consensos alargados, de propor estratégias arrojadas, de avançar com ideias inovadoras e verdadeiramente reformistas para o recolocar na posição firme e vertical como deveria ser e estar. Em vez de tranquilidade e de esperança no futuro, veem-se, por todos os lados, muita descrença, revolta e incompreensões para entender o cataclismo que atingiu o país. Para adensar este cenário estático de pasmo, manchas nítidas de pobreza acompanham a agudização dos problemas económicos e financeiros. Não fosse o contributo generoso das instituições de solidariedade social que, na sua ação humanitária, vai escondendo tanta miséria, o drama seria ainda muito mais doloroso e incontrolável.

Armindo Oliveira
25 Jan 2013

A recessão, pelos vistos, é para continuar, crua e ascendente, o que vai provocar em 2013 uma subida no desemprego, a inevitável degradação da qualidade de vida e ainda maiores apertos na magra economia familiar. Há famílias que vivem no limiar dos cêntimos com os filhos a matarem a fome nas cantinas das escolas. As pessoas completamente atónitas pelo descalabro não conseguem orientar-se neste mar de aflições. As empresas, criadoras de emprego, descapitalizadas e sem encomendas debatem-se no quotidiano com dificuldades de toda a ordem. Tudo anda à deriva, sem norte e sem rumo, quando o momento seria de tocar a rebate e juntar forças e vontades para superar esta maldita crise que se colou no país. O único setor profissional que escapa à crise é o setor da classe política que continua a viver longe, muito longe do mundo real.
Assistimos no Parlamento a debates quentes na forma, mas estéreis na substância. Assistimos à guerrilha política gratuita e institucionalizada, quando o necessário seria que os políticos pensassem seriamente em encontrar soluções para o país. Assistimos à constante desresponsabilização e à falta de memória dos causadores da penúria nacional. Dá mesmo a ideia que os políticos, não se apercebem, não querem perceber ou não estão consciencializados para a gravíssima situação em que vive uma boa parte dos portugueses.
Para reforçar a consolidação das contas públicas, parece-me claro que Passos Coelho poderia ter atuado de outra forma, atacando sem tréguas as gorduras do Estado, conforme prometeu e se comprometeu na campanha eleitoral, para aliviar um pouco a carga de impostos que recai sobre a classe média e sobre os desgraçados dos trabalhadores. Não se percebe o medo do primeiro-ministro em extinguir muitas das Fundações que vivem exclusivamente à custa do Estado, de se encerrar as empresas municipais, ninhos de boys, e de tantos organismos públicos que sugam o dinheiro dos contribuintes. Há muita poupança a fazer neste campo.
Saído das brumas, António José Seguro, com surpresas escondidas, arroga-se a lançar a boca de eleições antecipadas para tentar obter maioria absoluta, esquecendo-se que o governo em exercício está a menos de metade do mandato de quatro anos. Incrível! Irresponsabilidade! Insensatez! Falta de juí-zo! Sem vergonha! Os socialistas em vez de se penitenciarem, de pedirem perdão aos portugueses pelos erros cometidos e fazer uma longa travessia pelo deserto da governação querem passar uma esponja pelo passado recente que nos fez ajoe-
lhar diante do FMI e aparecer junto do eleitorado imaculado e ingenuamente inocente. Como é possível que este partido se comporte desta maneira demagógica, hipócrita, diante dos olhos dos portugueses?! Fome de poder e de protagonismo? Medo do líder que António Costa o faça descer do pedestal do Rato e o atire para os anais do esquecimento?




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