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Tudo normal

Facto 1 – Na edição eletrónica do jornal Público, em seis de outubro de 2012, o árbitro Duarte Gomes assumiu ser adepto do Benfica. Facto 2 – Na passada jornada da Liga, o árbitro Duarte Gomes expulsou o bracarense Paulo Vinícius, a poucos minutos do fim. Facto 3 – Paulo Vinícius fica impedido de defrontar o Benfica na próxima jornada, em que o SC de Braga defronta o Benfica. Facto 4 – Este era o jogador mais “insubstituível” no onze base da equipa. É o único jogador para o qual não temos suplente (teoricamente) à altura.

Manuel Cardoso
24 Jan 2013

Isto não são conjeturas nem opiniões. São factos. Nem sequer vou aqui recorrer lugar-comum da “mulher de César” a quem não basta ser séria mas precisa de o mostrar. Vou admitir como hipótese que o erro de Duarte Gomes foi ingénuo e só por infeliz coincidência o beneficiado é o seu clube do coração. Foi azar (ou sorte), quero acreditar.
A este propósito tenho lido algumas opiniões bem ingénuas (a meu ver, é claro). Alguns dizem que os árbitros erram como erram os jogadores: todos cometem erros. Mas há aqui um equívoco grave: o erro do jogador só o prejudica a si e ao seu clube; o erro do árbitro prejudica terceiros, que nada têm a ver com a sua incompetência ou a sua miopia.
Um colega de profissão veio já defender Duarte Gomes dizendo que os dirigentes também se deviam queixar quando são beneficiados. É o argumento mais ridículo que alguma vez ouvi. Isso era o mesmo que pedir ao Messi que se viesse queixar de injustiças quando lhe ofereceram as quatro bolas de ouro. Além disso ainda gostava que o senhor árbitro em causa nos viesse dizer quando é que o Braga foi beneficiado dessa maneira.
Um outro argumento disparatado que li na edição on-line de um jornal de Lisboa foi a de que, de facto, Duarte Gomes errou mas o Benfica não precisava desse erro. Fica bem a um jornal “lá da terra” admitir o benefício do Benfica mas… não precisava?
No fundo, tudo isto é normal. Já estamos a ficar habituados a estas coisas, depois de, no jogo da primeira volta, termos sido prejudicados na Luz por uma expulsão errada, de termos perdido em Alvalade com um golo descaradamente mal anulado, de não ter sido marcada uma grande penalidade descarada no jogo frente ao Porto… enfim, estamos em época de crise e, mais do que nunca, parece que a estratégia global é pôr os pobres no seu lugar: calados e a pagar a crise que os outros criaram.
No entanto, até numa questão tão séria como esta, o melhor que temos a fazer é encarar isto com desportivismo, aceitar que já começamos a perder o jogo porque, na verdade, o Benfica, como grande clube que é, começa a preparar os jogos com antecedência. Razão tinham os meus amigos benfiquistas que, na era pré Luís Filipe Vieira, diziam que o Benfica só se afirmaria nos lugares de topo com uma administração “à Pinto da Costa”… Se calhar tudo isto é mais normal do que pensamos; se olharmos para a Liga espanhola também vemos a tendência dos árbitros para beneficiar sistematicamente o Barcelona. O problema é que lá o privilegiado é apenas um; aqui são três.




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