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Ministro e ministério

Vale a pena uma reflexão sobre as palavras ministro e ministério.Li há dias o que transcrevo: «Minister é uma palavra latina muito usada na tradição litúrgica. Atualmente, ministro e ministério fazem lembrar uma ideia de grandeza. Contudo, na sua origem não era assim. Opõe-se a ‘magister’ (mestre). O magister, do advérbio ‘magis’ (mais) é o superior que exerce o magisterium ligado ao ensino, e o minister, do advérbio minus, (menos), é o inferior que exerce um serviço, um ministerium: é o servo. O ministro é um subalterno, um executivo. Evoca a ideia de subordinação ao serviço de alguém. O seu significado mais exato é o de servidor». («Sacerdos – apontamentos de espiritualidade sacerdotal». Livro de Gonzalo Aparicio Sánchez, 2.º volume, pag. 31-32).
 

Silva Araújo
24 Jan 2013

Os vocábulos ministro e ministério têm anexa a ideia de serviço. Exercer um ministério é – ou deverá ser – prestar um serviço. Na Igreja e fora dela.
Nem sempre esta realidade é tida em consideração e em consequência disso acontece de haver pessoas a quem os ministérios sobem à cabeça, isto é, que mais do que servirem se pavoneiam. Para já nem falar de situações em que pessoas que deveriam servir preferem servir-se.
 
É evidente que a escolha de determinada pessoa para o exercício de determinado ministério significa o reconhecimento da existência nessa mesma pessoa de um conjunto de qualidades. A não ser que, como infelizmente também acontece, aos critérios da consciência e da competência se sobreponham os do clientelismo e do compadrio. O nepotismo não foi apenas um comportamento do passado. Ainda hoje, ser sobrinho de tio é uma chave que abre muitas portas. É considerado como uma importante e decisiva habilitação, o que é um erro. Como é um erro identificar a competência com o cartão de militante partidário.
 
O reconhecimento de um conjunto de qualidades na pessoa a quem se confere um ministério ou é instituída nele não deve, porém, ser motivo para que essa mesma pessoa se envaideça, se julgue superior aos demais, passe a reclamar para si mesma uma situação de privilégio.
Possuir determinadas qualidades é, para os seus detentores, uma responsabilidade. Compete-lhes pô-las a render, não exclusiva nem preferentemente para proveito próprio, mas sobretudo em benefício dos outros.
 
A ideia de ministro traz, também, anexa a de comunidade. Ser ministro é servir uma comunidade. É procurar, acima dos interesses particulares – seus ou dos seus – a satisfação do bem comum.
Não deve ser ministro quem quer, mas quem possui as qualidades necessárias para isso. Exige-se que tenha as aconselháveis habilitações para o correto desempenho da missão ou missões que lhe são confiadas.
Quem tem o encargo de escolher os ministros há-de ter a preocupação de, entre os vários membros da comunidade, eleger os que melhor a podem servir no desempenho daquelas específicas funções: os mais conscientes, os mais competentes, os mais honestos, os que mais disponibilidade têm para servir.
Ser ministro é ser investido em autoridade, e a autoridade é um serviço. Se o não é, deveria sê-lo.
 
Sendo um serviço, o ministério também é um trabalho, e como tal há-de ser justamente remunerado. Até porque pode acontecer de haver pessoas que têm aí a sua única fonte de rendimento.
Há-de ser, ainda, devidamente apreciado e prestigiado.
Lamentavelmente escasseiam, por vezes, vocações de serviço, também do tal serviço justamente remunerado. Nem sempre os melhores estão disponíveis para o serviço à comunidade, talvez porque o não vejam devidamente apreciado e prestigiado ou porque não descobriram a recompensa que é a consciência de terem contribuído para o bem comum.
No entanto, todos lucramos sempre que pessoas, com consciência e com competência, aceitam servir honestamente. Prestigiam-se e prestigiam o ministério que lhes foi confiado.




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