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Braga e a tolerância religiosa

Nos primeiros dias deste ano, veio sorrateiramente a público uma daquelas notícias que passou pelos jornais e pelas televisões como gato sobre brasas. Praticamente não teve direito a títulos “gordos” nas primeiras páginas da imprensa e, menos ainda, o direito a encabeçar os alinhamentos dos telejornais. Refiro-me a uma notícia tornada pública pelo investigador e sociólogo italiano Massimo Introvigne, segundo o qual foram mortos, em defesa da sua fé, durante o ano 2012, nada mais nada menos do que… 105 mil cristãos! Na prática, significa que, por causa da sua crença em Jesus de Nazaré, foi morto um cristão (ministro ou leigo) a cada cinco minutos de 2012!

Victor Blanco de Vasconcellos
24 Jan 2013

Esta notícia replicou outras semelhantes, divulgadas, também em janeiro, pela agência Fides, do Vaticano – uma das quais revela que 12 “agentes pastorais” da Igreja Católica foram assassinados em 2012. E pelo quarto ano consecutivo, o maior número de padres católicos mortos em defesa da sua fé verificou-se no continente americano, onde foram assassinados seis padres. Na África, foram mortos três sacerdotes e uma religiosa; e um sacerdote foi assassinado na Ásia…
Entre os casos relatados pela agência Fides, merece especial referência o assassinato do padre Valentim Eduardo Camale, de 49 anos, da congregação dos Missionários da Consolata, que foi morto a 3 de maio de 2012, em Liqueleva, Moçambique. (Diga-se, a propósito, que os sacerdotes missionários têm sido os mais “sacrificados” nas últimas três décadas: segundo dados do Vaticano, entre 1980 e 2012 foram mortos mais de mil missionários católicos!).
É evidente que não são apenas os cristãos quem sofre estes mortíferos atos de violência. Também os crentes de outras religiões vão morrendo às mãos-cheias, anualmente, por defenderem a sua fé e os valores transcendentais em que acreditam.
Neste século XXI, em que se esperaria uma grande tolerância a nível planetário, verifica-se que há um progressivo recrudescimento da violência religiosa. E mesmo em países ditos “evoluídos” – em razão do seu grande desenvolvimento económico e cultural – há focos de assustadora e exponencial agressividade interreligiosa, como o demonstram os recentes confrontos ocorridos em Belfast, opondo cristãos e protestantes numa injustificada e prolongada “guerrilha” que, nas últimas três décadas, já provocou mais de 3.500 mortos!
O direito à liberdade religiosa funda-se na dignidade da pessoa humana e deve ser preservado a partir do equilíbrio entre a verdade e a liberdade – num esforço que tem de ser feito com mais diálogo entre as diferentes confissões religiosas e destas com os não-crentes.
Neste aspeto, felizmente, a diocese de Braga tem dado bom exemplo ao mundo. A realização em Priscos da “Aldeia das Religiões” evidenciou a disponibilidade da Igreja bracarense para este tipo de diálogo interreligioso e para a promoção da tolerância/liberdade religiosa. E o mesmo se pode dizer da concretização da iniciativa “Atrio dos Gentios”. Duas “atividades” que as demais dioceses portuguesas (e não só…) deveriam sentir-se obrigadas a replicar, sem pruridos pela imitação!




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