Fotografia:
A lei da mudança (II)

O progresso tecnológico e as suas consequências são imprevisíveis. Gigantescos aviões a jacto passarão como um relâmpago por cima dos oceanos a velocidades supersónicas, levando em cada viagem centenas de passageiros intercontinentais. O programa de comunicações, via satélite, torna possíveis inúmeras telecomunicações entre partes distantes do globo, de um modo cada vez mais célere e mais sofisticado. A internet, o telemóvel e outros meios de comunicação afins permitem e vão permitir contactos e transmissões de mensagens extensas que se processarão de um modo cada vez mais instantâneo e perfeito. A ciência e a tecnologia tornarão o mundo definitivamente mais próximo e mais pequeno.

Artur Gonçalves Fernandes
24 Jan 2013

No entanto, tal progresso, para além de todos os seus incomensuráveis benefícios, acarreta, para a humanidade e para toda a espécie de vida terrena, efeitos negativos de enorme dimensão e profundamente significativos. A poluição provocada pelos fumos e cheiros das fábricas, das geradoras, das refinarias, dos automóveis e dos aviões estão a contaminar continuamente o ar que respiramos. Os produtos químicos, os esgotos e os desperdícios das cidades e complexos industriais, que não são devidamente recolhidos e reciclados, vão destruindo a fauna e a flora de todo o nosso planeta. O homem arrisca-se a esgotar as reservas naturais, tanto das florestas, como do solo, do subsolo e até a própria água e mesmo o ar. A tudo isto se vêm juntar as pragas dos incêndios que se têm tornado cíclicos nos períodos estivais e que dão um contributo para toda essa devastação que se vem agravando assustadoramente. Estamos a viver num ambiente fabricado pelo homem e num mundo sintético em constante mutação, cujo ritmo se acelera dia a dia e no qual as pessoas se sentem inseguras sob todos os aspetos. Muitos homens desconhecem que noventa por cento do ar condicionado não é fresco, mas viciado, arrefecido ou aquecido e posto de novo a circular. Sabe-se, pelas leis da Física, que se o ar for arrefecido de mais, os poros da pele fecham-se podendo originar certo tipo de doenças. Acresce ainda que quarenta por cento da nossa energia sai dos alimentos que ingerimos e sessenta por cento provém do ar puro. O mundo em que vivemos está a tornar-se demasiadamente sintético e sofisticado, e, por isso mesmo, mórbido e pernicioso. Queremos tudo às ordens; é só carregar num botão e as nossas comodidades surgem automaticamente. Deixamos murchar as nossas qualidades essencialmente humanas porque apenas procuramos as coisas que a tecnologia nos pode proporcionar, estando prontos a tornarmo-nos seus passivos beneficiá-rios. Aperfeiçoamos as nossas máquinas, mas não cuidamos do homem que somos. Damos muita relevância a todas as maravilhosas alterações técnicas e científicas, mas não reparamos como estamos apoucando a natureza do homem e o seu natural prazer de viver. A principal preocupação do homem devia ser a melhoria da qualidade de vida, tornando-a mais simples e natural, o que nos eliminaria muita confusão, muito stress e muitas inquietações. Além disso, devemo-nos comprometer essencialmente com a mudança interior, desenvolvendo um bom carácter, um espírito solidário e pacífico, bem como a faculdade de nos adaptarmos racionalmente às condições das constantes mutações da sociedade. Quando atingirmos este estádio de formação, estaremos acima de qualquer problema. Se a sociedade estivesse cheia de pessoas compreensivas, justas, íntegras e competentes, teríamos excelentes famílias, boas escolas, negócios corretos, gestões honestas, decisões justas e governos verdadeiramente preocupados com o bem comum e o desenvolvimento harmonioso da comunidade. Se o homem se preocupar, no seu dia adia, com a interiorização dos bons princípios, aí começará a modificar o mundo.




Notícias relacionadas


Scroll Up