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Venha daí a geminação!

Braga está em processo de geminação com a cidade brasileira do Rio de Janeiro. Perante tal notícia, que pensará o comum bracarense? Em que altera isto a sua vida? Teremos uma favela no Picoto? Um calçadão no Rio Este? Ou, no reverso da medalha, um canudo no Pão de Açúcar? Ou uma pedreira junto ao Maracanã? Está na hora de explicar em que seremos afetados por esta geminação e de que forma podemos beneficiar dela.Então, nada mais lógico que perguntar «afinal, o que é isto da geminação?». Clarifique-se esta questão.

José Baptista
23 Jan 2013

A geminação de duas cidades consiste, em termos básicos, num pacto para o alavancar das relações económicas e culturais das cidades, ou seja, ambas se propõem a realizar protocolos que permitam o intercâmbio nestes aspetos da sua vida municipal. Ainda que possa haver acordos relativos ao espaço urbano, não há, contrariamente ao que o termo possa induzir, uma predisposição para a extrema semelhança física entre os dois concelhos. Este é um mecanismo já usado com sucesso em vários pontos do globo, sendo a geminação mais mediática a que une as cidades de Paris e Roma. Aliás, também Braga já tem vários acordos de geminação, sendo as cidades de Rennes (França) e Astorga (Espanha) dois exemplos.
Neste seguimento, impõe-se outra questão, em que poderá Braga tirar proveito desta ligação? Antes de mais, Braga passa a ter uma relação privilegiada com uma cidade com mais de 6 milhões de habitantes e em que existe uma classe alta com um enorme poderio económico. Esta classe aquando da escolha do destino de férias estará em busca de algo com maior incidência cultural – a praia e o calor têm-nos o ano todo –, cabe aos agentes bracarenses aproveitar esta oportunidade e saber promover de forma eficaz o nosso património. Há ainda a possibilidade dos acordos económicos e imagine-se aqui proporcionar aos jovens empreendedores bracarenses facilidades em expandir o seu mercado para uma tão vasta população.
Acima de tudo, Braga tem muito a aprender com a gestão do espaço público efetuada no Rio de Janeiro. Neste ponto, deixem que vos dê desde já 2 exemplos bem ilustrativos da diferença entre as duas pólis. No Rio, ao longo de vários quilómetros, 
peões e ciclistas coexistem numa rede de ciclovias que, se faz inveja a muitas cidades no mundo, ainda mais faz a uma Braga cuja única que possui é estruturalmente deficiente e pouco convidativa ao uso. Também no marketing da cidade temos uma lição a aprender. Sim, o Rio tem praia, Cristo Rei e Pão de Açúcar. O Rio tem tudo isto e sabe aproveitá-lo, definiu o rótulo de ‘Cidade Maravilhosa’ e promoveu-se internacionalmente.
Talvez não tenhamos os argumentos que o Rio tem, mas, indubitavelmente, ainda temos muito aprender no como mostrar Braga ao mundo.
Há dois tipos de geminações de cidades, as bem aproveitadas e as mal aproveitadas. Braga tem aqui uma oportunidade e convém lembrar que somos nós quem mais tem a ganhar. Posto isto, venha daí a geminação!




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