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A verdade de Seguro!

Assisti com alguma curiosidade à entrevista de António José Seguro. Ora se há coisa que eu não gosto nos políticos é essa mania de falarem por falar, de ser do contra porque acham que têm de ser do contra… enfim essa leitura absolutamente deturpada de como funciona a democracia e o exercício da oposição em Portugal.Confesso não ser um adepto de Seguro. Aliás, confesso mesmo entender que se trata de mais um político de carreira, sem nada de novo para acrescentar e que revela uma clara falta de preparação para liderar o que quer que seja. Portugal precisava mais do que nunca de uma oposição forte, credível e responsável, ou seja, a antítese da que temos.

Ramiro Brito
23 Jan 2013

A verdade é que este sistema em que vivemos tem vindo a revelar ao longo dos anos uma imperfeição mais profunda do que seria desejável. Certo é que não existem sistemas perfeitos, mais certo é ainda que dentro dos imperfeitos a democracia é claramente o melhor deles, a questão está no tipo de democracia que queremos e qual o modelo que melhor funciona. Quanto a mim não é o parlamentarista, mas isso é tema de outras lides que a seu tempo tratarei de abordar.
Ora, arrisco a dizer que desde o 25 de Abril de 1974, Manuela Ferreira Leite há-de ter sido a candidata com hipóteses reais de vencer eleições que mais verdade falou na campanha. E não me refiro aos comentadores e históricos profetas, sobretudo sociais democratas, que passam a vida a opinar mas não têm a coragem de avançar e tentar fazer a diferença, falo da pessoa que deu a cara e foi à luta. Possibilidade de aumentar o IVA, o IRS, reduzir a despesa nomeadamente ao nível dos quadros do estado, foram tudo “promessas” de Ferreira Leite, derrotada cabalmente pelo popularismo de Sócrates. Hoje quem consciência tiver dirá que a sra. tinha razão.
Seguro, por sua vez, ganha o PS destroçado pelos anos negros de Sócrates e pelos efeitos que estes tiveram no país. Herda um acordo assinado pelo seu partido com a troika e tenta a todo o tempo fugir a esse acordo. Porquê? Porque é impopular, porque as medidas são difíceis e geram enorme contestação social, porque não é fácil dizer às pessoas que todos estamos a pagar a factura de anos e anos de má governação, mas também de anos de irresponsabilidade colectiva. Porque criamos maus hábitos, todos nós, e agora há que pagar por eles. São medidas impopulares, qui çá até exageradas em pequenos detalhes, mas estruturais e necessárias na sua globalidade. A um político com alguma grandeza e honestidade exigir-se-ia que dissesse a verdade por iniciativa própria, que dissesse ao seu eleitorado que este caminho é difícil mas necessário, que acentuasse as diferenças de pormenor e as usasse como marca distintiva do Governo, mas que não aproveitasse a ocasião para tentar facturar politicamente com uma situação na qual o seu partido tem todas as responsabilidades.
Não se pode exigir essa grandeza nem honestidade a Seguro.
A questão prende-se com o compromisso e na entrevista, quanto instigado a dizer se, no caso de ser eleito, baixaria impostos como o IRS, a boca fugiu-lhe para a verdade, por um momento é certo, mas fugiu… não pode assumir essa responsabilidade, porque sabe que não há outro caminho possível.
Com isto cai por terra o discurso inflamado, eleitoralista e irresponsável de quem vê no poder um emprego e não um exercício de cidadania prestado ao país.




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