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Nunca deixemos apagar a chama da solidariedade

O povo português, na sua grande maioria, soube sempre estar atento às necessidades daqueles que mais carecem de ajuda, havendo instituições e pessoas que se destacam nestas ações de solidariedade.Os políticos devem ser os primeiros a dar o exemplo, tomando medidas apropriadas a cada contexto, apoiando todos aqueles que prestam serviços sociais no país. É tempo de olhar à nossa volta. É tempo de dar as mãos, mostrando o nosso altruísmo e pensarmos em inúmeras situações aflitivas provocadas, em muitos casos, por tantas políticas destruidoras da nossa economia que não souberam ter a visão suficiente dos gastos que estávamos a ter para além das nossas possibilidades.

Salvador de Sousa
22 Jan 2013

Sejamos apoiantes de iniciativas a nível nacional promovidas pelas Misericórdias, por tantas outras associações ligadas à igreja e a outros movimentos humanitários. As próprias autarquias podem prestar um grande contributo em tantas medidas nos apoios mais prementes da sua população carenciada: redução e até isenção de taxas na construção de habitação, na ligação e do consumo de água e de saneamento; nos transportes escolares; no apoio ao desenvolvimento dos setores primários (agrícolas, pecuários, florestais…); incentivo à criação de novas empresas e a outros empreendimentos que nos ajudem a sair deste imbróglio. Dentro desta linha de apoio, temos o bom exemplo da Câmara Municipal de Vila Verde que tem tomado medidas muito apropriadas a este tempo de crise.
Tantas campanhas de solidariedade há na época de Natal e que, felizmente, dão muito resultado, mas não podemos parar, pois a necessidades não se esgotam, infelizmente, nessa época do ano. Devemos continuar a manter o nosso local onde possamos depositar algo para ajudar a minimizar tantas carências que existem por este nosso país. Não deixemos, dentro das nossas possibilidades, passar fome qualquer pessoa que nos rodeia, sejamos caridosos.
Tudo o que referi serve um pouco de preâmbulo para a revolta que senti quando, ainda há pouco tempo, se criticou uma heroína na nossa sociedade que, desprendidamente, se entrega aos mais carenciados. Qualquer palavra saída de um íntimo puro e com provas dadas deve ser acolhida positivamente e mesmo que haja qualquer infelicidade na maneira como se comunica não deve ser caso para se destruir, só por si, todo o bem efetuado ao longo de uma vida. O povo português deve avaliar bem esses críticos que só se preocupam em destruir o trabalho dos outros.
Imaginem a crítica que se gerou em volta das afirmações da presidente da Federação dos Bancos Alimentares, Maria Isabel Jonet, que tem feito um trabalho notável na luta contra a fome, por proferir uma palavras que geraram interpretações negativas quando sabemos que é uma senhora de grandes valores e que tem passado a vida a fazer o bem. Não foi por acaso que, em 2005, a Assembleia da República de Portugal lhe entregou o prémio “Direitos Humanos 2005”, tendo sido também distinguida pela revista feminina Ativa com o galardão “Mulher Ativa 2000”.
Maria Isabel Jonet, nascida em 1960, licenciada em economia, regressou a Portugal, em 1994, de Bruxelas, onde desempenhava as funções de tradutora na União Europeia, para poder acompanhar melhor os seus filhos, começando por dedicar os seus tempos livres a trabalhar, como voluntária, no Banco Alimentar Contra a Fome, assumindo, ao fim de algum tempo, a sua presidência que no decurso de dez anos contava já com um número aproximado de dez mil voluntários e prestava apoio a cerca de duzentas mil pessoas carenciadas.
Esta nobre senhora, de um altruísmo incomensurável, tem um coração puro e dele só podem brotar palavras sãs, límpidas de sentido, contextualizadas com o período que atravessamos, pois como ela disse, e muito bem, “se não mudarmos nada, a situação não é mesmo sustentável”. Como é possível fazerem interpretações erradas de alguém que não para de trabalhar desprendidamente para o bem da sociedade?! Até algumas forças políticas quiseram denegrir esta nobilíssima cidadã portuguesa que não está à espera de altos cargos e de salários chorudos, mas de tentar fazer o melhor pelo seu semelhante. É um crime desmotivar pessoas que, tenho a certeza, que fazem tudo com a pureza de espírito que é visível nas ações praticadas ao longo de tantos anos.




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