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Sinais de (in)coerência… mais ou menos (re)conhecidos

Num tempo eivado de múltiplas notícias – onde umas são factos e tantas outras surgem de meros episódios, há quem lhes chame de ‘não-factos’ – somos continuamente desafiados a ver como é a coerência entre as palavras e o comportamento – tanto do nosso como o dos outros – num quadro de vivência colectiva… mais ou menos (re)conhecida. Atendendo a que por trás de cada facto está alguém – com perfil aceite e/ou reconhecido – tentaremos – para evitar tocar em melindres e com isso provocar resposta de ‘ofendidos’! – dizer das acções ainda que não descriminando (totalmente) os intervenientes.

A. Sílvio Couto
21 Jan 2013

= Quando se fazem campanhas em defesa de um certo cão – provocador da morte de uma criança – com milhares de proponentes… até onde irá caminhar a degradação da nossa condição humana? Vida de criança e vida de cão não têm – assim cremos! – comparação. Mas, se do canídeo todos sabem o nome, como poderemos acreditar na salvaguarda da nossa condição humana, se a criança (já sepultada) se reduz a um simples número! ‘Animal’ vale mais do que humano? Quantas vezes a defesa de redutos animais têm custado o adiamento de obras públicas! Quantas vezes o simples azedar de razões faz com que se cuide mais dos animais do que dos direitos dos humanos! Quantas vezes certos vegetarianos de fachada guerreiam para que os seus pontos de vista se sobreponham aos deveres para com os humanos mais simples e marginalizados!

= Centenas de pessoas vão, diariamente, ao hospital… público ou privado, sob taxas moderadoras ou com taxas já cobradas… em idade mais nova ou na senectude…com problemas habi-tuais ou em momentos ocasionais. Ora, por estes dias, um senhor de provecta idade da nossa praça política teve de recorrer à assistência hospitalar. Politicamente – tanto quanto se sabe da sua ideologia – deveria servir-se do sistema nacional de saúde – que criou, patrocinou e, teoricamente, defendeu – embora – pela capacidade e pelos recursos económicos que deve possuir, tal como as influências que move – possa ir aos serviços do privado. Como se pode classificar quem conteste a solução – do paciente e do seu (anterior!) projecto político – onde aquilo que se diz até parece estar um tanto desfazado do que se faz? Será de cobarde porque se explora o (‘pobre’) necessitado ou de incongruente porque não se segue aquilo que apresenta aos outros? Como se pode viver a exigir aos outros e se é mais tolerante quando isso nos atinge… nem que seja aos mais próximos? Até onde irá a lógica de regime se o regime falha e os seus utentes estão descapitalizados?

= Repetidamente se diz que o país está em crise e que as pessoas têm dificuldade em prover às suas necessidades essenciais. Há campanhas de ajuda, tendo as mais diversificadas intenções, intervenientes e beneficiários. No entanto, quando se fala de futebol, as coisas mudam de cenário… sobretudo se estão em contendas emblemas rivais – sejam do espectro desportivo, sejam da área sócio-regional ou ainda dos interesses mais ou menos explorados em maré de crise – e se faz dum jogo uma questão de honra… Quem viu a multidão dos espectadores a sair do estádio onde se deu a recente resfrega dos principais competidores do campeonato de futebol terá ficado com dúvidas: mais de sessenta mil – o custo do jogo (viagens, bilhete, comes-e-bebes, etc.) nunca terá andado abaixo dos cem euros – não estão a passar mal, pois ali não se entra sem dinheiro em caixa!… Há imensos interesses em causa, por isso um jogo desta natureza serve de alienação para quem do povo se serve, ao menos, explorando as (suas) paixões clubísticas… Os adversários ainda estão conscientes na hora de dirimirem os lances (mais ou menos) polémicos? Nem sempre a racionalidade tem espaço nas questões desportivas… pois, por muito poucos erros que se cometam, com dificuldade as pessoas os assumem… ontem como hoje!   

Outros tantos sinais de (in)con-gruência se praticam, embora poucos os assumam, os (re)conheçam e tanto pouco o tentem corrigir! Coerência a quanto obrigas!




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