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Os limites da indignação…

O nosso Estado Social, embora jovem, talvez não chegue a velho tal a vontade política em fazer alterações a qualquer custo. Os mais velhos certamente ainda se recordam do país dos anos quarenta e cinquenta, enquanto os mais novos já conheceram o Estado actual, aquele que agora se tornou em problema político, sobretudo porque só agora se descobriu que os pensionistas e reformados vivem mais tempo, os índices de natalidade são baixos e os trabalhadores contribuintes para o sistema, começam a rarear à medida que as políticas governamentais aplicam novos “pacotes” de austeridade.

J. Carlos Queiroz
21 Jan 2013

Curiosamente também só agora se começa a tentar discutir o Estado Social e de forma algo inédita, porque se teima em reestruturar em poucos dias o que requer tempo, serenidade, sensatez e prudência, considerando que depressa e bem, há pouco quem. É provável que o Governo pretenda gerir o tempo e a austeridade, conforme cumpre o memorando ou ouve a Troika, porém é tempo de reflectir antes de agir, considerando que os portugueses já atingiram um patamar elevado de austeridade e a pobreza é o sinal mais preocupante do próprio Estado Social. Que caminhos vamos seguir ou como vamos superar os problemas e desafios com que nos debatemos, será a questão a solucionar nos próximos meses, perante um cenário de instabilidade social agravado com o aumento de desempregados. Por muito que se aluda a uma progressiva melhoria resultante de custos menos elevados nos juros de empréstimos, continuaremos a responder por encargos do passado que obrigam a pagamentos que excedem os nossos rendimentos. Renegociar a dívida, reestruturar o Estado Social, encontrar alternativas para ultrapassar a crise instalada entre nós, são um conjunto de tarefas que precisam de tempo e visão política. A indignação pode parecer controlada, mas a pobreza existe e não pode nunca ser ignorada. Os portugueses são pacientes, mas gostam de conhecer o país em que vivem para melhor participar nas soluções dos portugueses. Por tudo isto se impõe uma política de rigor, mas também de consensos, considerando que qualquer alteração do Estado Social sempre deverá merecer um amplo debate entre os portugueses e nunca obedecer apenas a decisões tomadas num contexto político de austeridade, onde os números falam mais alto que as carências do povo. É tempo de encontrar novas formas de gerar emprego, de permitir investimentos compatíveis com o desenvolvimento necessário ao país, renovando uma economia estagnada que não permite ainda desenvolver cenários de menos austeridade. Que o Estado Social mereça efectivamente um estudo consciente e rigoroso, que só o tempo, a sensibilidade e a sensatez podem construir com sucesso. Chega de tudo fazer sem ouvir o povo, chega de encontrar soluções à custa de trabalhadores e pensionistas, o país é um todo e as excepções apenas conseguem semear mais desigualdade entre cidadãos. Debater o Estado Social deve constituir uma tarefa colectiva e se possível obrigando a estudos e reflexões sobre o Estado existente, o desejável e o possível!




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