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E se for verdade?

E se for verdade? E se for verdade aquilo que se diz nas “sugestões” ou recomendações do FMI quanto aos ordenados, reformas e excedentes de funcionários públicos’? Dito doutra maneira: e se na verdade Portugal não ganha, isto é, não produz ou não trabalha para sustentar o nível de ordenados que paga, não tem dinheiro para suportar o nível de reformas que atribui, ou tem mesmo, por necessidade de tesouraria, de mandar embora milhares de funcionários públicos? Pessoalmente antes queria que fosse uma diatribe, uma maneira que o FMI tivesse encontrado mais para assustar os já de si assustados portugueses.

Paulo Fafe
21 Jan 2013

Mas infelizmente há aqui a tal pulga atrás da orelha, ou dedo mindinho que diz que são eles quem tem razão. E se este dedinho me não engana, como nunca o faz em situações de dúvida, nós teremos mais dia menos dia, ou mais ano menos ano, sujeitarmo-nos a viver com o que temos e não com o que gostaríamos de ter, e nunca mais vivermos à custa dos outros como parasitas. Portugal vem empobrecendo desde há décadas. Na ditadura éramos pobres convencidos de que o éramos, na democracia fomos ricos a fingir e agora somos pobres reivindicativos. Se o rendimento nacional não suporta tais vencimentos, tais reformas e tantos funcionários, que devemos fazer como Estado? Vir para a rua pedir o que não temos, exigir o que não há, berrarmos a plenos pulmões para abafar a consciência ingénua? Dantes diziam-nos que éramos impreparados, agora dizem-nos que temos preparados a mais. Enganaram-nos nas últimas décadas, ou melhor, enganaram-nos desde a restauração da democracia, disseram-nos que éramos europeus, deram-nos a ilusão da vida rica, prometeram-nos uma Europa como uma estrada larga onde passeávamos de igual para igual com os povos ricos e, afinal, tudo quanto nos prometeram e fizeram antever era uma miserável mentira. Nós continuávamos pobres e a viver a calote. Portugal não tinha uma economia sustentada para pagar os ordenados que pagava, nem as reformas que estava a pagar. Os dinheiros vinham a crédito e ninguém viu ou ninguém quis ver que caminhávamos para o buraco financeiro sem remédio porque não havia economia nacional que sustentasse tais e tão grandes despesas. E emprestaram-nos o que podíamos pagar e não pagar numa cegueira e tontaria que se assemelhava a um delírio coletivo. E fizeram isso com o Estado e transmitiram a vontade de ficar a dever aos particulares, num vórtice demoníaco que só agora pobres, abandonados e entristecidos, nos damos fé como fomos parceiros nesta doudeira. Parceiros ingénuos, mas também gozosos de uma abundância que infelizmente era mentira. Que nos resta agora? Olhar para dentro de nós e vermos a riqueza que temos, rentabilizá-la o mais que pudermos para a  distribuir com equidade por todos. Somos pobres mas não miseráveis. Temos como únicas riquezas naturais, sol, solo e mar. Sol a rodos com aproveitamentos energéticos que vejo pouco industrializados, solo que de fértil devemos fazer cientificamente mais úbere e mar onde fomos e viemos e devemos voltar porque dele nunca deveríamos ter saído.




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