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Só a Ética pode fomentar a Paz

O Prémio Nobel da Paz de 2012 foi atribuído à União Europeia por ter contribuído durante mais de seis décadas para a paz, a reconciliação, a democracia e os direitos humanos, por se ter reerguido após a catastrófica segunda guerra mundial e por ter semeado a estabilidade nos países do antigo bloco comunista, após a queda do Muro de Berlim, em 1989. Karl Popper defendia que: “a nossa civilização ocidental deve à ética os seus níveis de humanitarismo, de liberdade, de igualdade e de racionalidade”.

Maria Susana Mexia
19 Jan 2013

O homo sapiens, com todas as características que o definem era, essencialmente, sobredotado porque nas suas aptidões havia uma novidade incalculável – A LIBERDADE INTELIGENTE.
Esta liberdade inteligente implica optar entre uma conduta digna do homem, procurando um equilíbrio pessoal e social a fim de optimizarmos a nossa existência ou provocar, patologicamente, a ruína e o extermínio declarado à nossa espécie
Se a gravidade nos prende à terra, a inteligência desprende-nos dela constantemente. Todavia, a liberdade inteligente precisa de orientação, de nexo, de freio e de uma bússola. Num agitado e confuso mundo em que vale tudo, “o homo sapiens teve de recorrer a ela para construir um mundo habitável, em que “o homem não fosse o lobo do homem”.
A ética no homem será a forma de o afastar da violência e, ao mesmo tempo, encaminhá-lo para o bem com consequente elevação de toda a sociedade. Isto aplica-se essencialmente à ciência que move o progresso mas, “tal como se inventou a música de câmara também se construíram as câmaras de gás”.
Os grandes cientistas tiveram esta noção: Einstein passou metade da vida a refrear as consequências da bomba atómica; Otto Hahn que descobriu a fissura do átomo de urânio, tentou suicidar-se ao ter conhecimento da destruição de Nagasaki e Hiroxima; Alfred Nobel, o pai dos explosivos e da dinamite, legou à humanidade um prémio para quem tivesse feito descobertas ou acções em prol da Paz e do Bem.
Por isso a ética é a maior criação da inteligência, acima da matemática, da física quântica, da genética e de tudo o que pode ser um bem para a humanidade ou pode ser a sua total degradação.
A consciência moral, longe de ser uma invenção, é antes o desenvolvimento lógico da inteligência, pertence à vida humana, não é um acessório mas faz parte da estrutura psicológica da Pessoa.
Gilles Lipovetsky no seu livro – O Crepúsculo do Dever diz que: “a política e a economia sem ética são diabólicas e aconselhou-nos a apelar com todas as nossas forças, não ao liberalismo moral mas ao desenvolvimento social de uma ética inteligente, de uma ética aristotélica da prudência, orientada para a busca do justo termo, de uma justa medida que esteja em relação com as circunstâncias históricas, técnicas e sociais”.
Em plena tormenta das várias crises que se vêm alastrando sem aparente fim à vista, este Nobel da Paz para a União Europeia será uma esperança e um reforço para se soerguer recorrendo ao exemplo do “Homo Sapiens Ethicus” e evitar a lenta degeneração e degradação da nossa espécie, culta inteligente e livre.




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