Fotografia:
O dom do filho

São cada vez mais os casais que se defrontam com o problema da esterilidade, causa de enorme sofrimento. Enquanto que uns matam pelo aborto o filho que conceberam, outros casais queriam ter filhos e não podem. A estes é aconselhada, como recurso, a adopção. É para mim um acto de profunda generosidade e são de louvar os casais que a ela recorrem – não só têm possibilidade de ter um filho, mesmo que adoptivo, mas também proporcionam a muitas crianças uma vida que nunca conseguiriam ter se não fosse assim.

Maria Fernanda Barroca
19 Jan 2013

Ouvi há dias uma notícia que me deixou chocada: na África do Sul, as mulheres engravidam voluntariamente e durante a gravidez consomem álcool em grandes quantidades para ver se o filho nasce com deficiências e assim podem ter apoios estatais.
Em dois países europeus (cujo nome não recordo, neste momento), têm uma Lei que proíbe o aborto, excepto se se verifica anomalias no feto. Assim caminhamos para a sociedade dos «perfeitos» e matamos os que têm alguma limitação.
Já pensaram que uma mulher pode dar à luz uma criança – muito linda (todas o são!), muito perfeitinha, mas que aos dois anos, por exemplo, lhe aparece uma doença degenerativa que a amarra a uma cama; ou sofre um acidente de viação que a torna paraplégica; ou sofre queimaduras que a deixam desfigurada?
As anomalias no feto podem muitas vezes ser causadas, num feto normal, de uma mulher com mais ou menos 40 anos e que na sua ansiedade faz exames e mais exames.
Actualmente está na moda e estamos fartos de ouvir falar em Reprodução Medicamente Assistida (RMA), mas poucos se referem aos seus princípios moralmente correctos.
No Catecismo da Igreja Católica, ponto 2376, pode ler-se: “As técnicas que provocam a dissociação dos progenitores pela intervenção duma pessoa estranha ao casal (dádiva de esperma ou ovócito, empréstimo de útero) são gravemente desonestas. Estas técnicas (inseminação e fecundação artificial heteróloga) lesam o direito do filho a nascer de um pai e duma mãe conhecidos e unidos entre si pelo casamento. E atraiçoam «o direito exclusivo a não serem nem pai nem mãe senão um pelo outro»”
“(…) É portanto um direito do filho a ser concebido, levado no seio, posto no mundo e educado no matrimónio: é através da referência segura e reconhecida aos próprios pais que ele pode descobrir a própria identidade e amadurecer a própria formação humana. (…) O desejo de ter um filho e o amor entre os esposos que desejam solucionar uma esterilidade não superável de outra forma, constituem motivos que merecem compreensão. (Cfr. “Instrução sobre o respeito à vida humana nascente e a dignidade da procriação”).
A Congregação para a Doutrina da Fé, no documento Donum vitae, de 1987, afirma explicitamente que “as tentativas ou as hipóteses destinadas a obter um ser humano sem qualquer conexão com a sexualidade… são consideradas contrárias à moral, uma vez que afrontam a dignidade, tanto da procriação humana como da união conjugal”.
Com estas técnicas o ser humano é privado do direito a nascer de um acto de amor verdadeiro e segundo processos biológicos normais.
O Papa na audiência que teve a 7 de Janeiro com o Corpo Diplomático a dada altura disse: “Ao mesmo tempo, vi com tristeza que em vários países, mesmo de tradição cristã, se procurou introduzir ou ampliar legislações que despenalizam o aborto. O aborto directo, ou seja, querido como fim ou como meio, é gravemente contrário à lei moral. Ao dizer isto, a Igreja Católica não pretende faltar à compreensão e benevolência nomeadamente para com a mãe; trata-se, antes, de velar para que a lei não chegue a alterar, injustamente, o equilíbrio entre o igual direito à vida que possuem tanto a mãe como o filho nascituro. Neste domínio, é igualmente fonte de preocupação a sentença recente da Corte Interamericana dos Direitos do Homem relativa à fecundação in vitro, que redefine arbitrariamente o momento da concepção e debilita a defesa da vida pré-natal”.




Notícias relacionadas


Scroll Up