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Mais futebol e menos violência

Muitas vezes questionamo-nos se estamos dispostos a levar a família a um jogo de Futebol. Valerá a pena correr riscos? Talvez não! Infelizmente é muito perigoso! Já nem me refiro a emitir uma opinião espontânea sobre um lance, estar identificado com as cores de um clube, mas apenas estar lá, e de repente ver a nossa integridade física ameaçada, provocada por desacatos cada vez mais frequentes nos estádios de futebol.

Fernando Parente
18 Jan 2013

A conclusão é a de que não vivemos num Estado de Direito, por mais que nos tentem dizer que sim, cada vez estou mais convencido de que não é verdade! Dou mesmo por mim a pensar que a ideia de viver em democracia, lançada num mês de abril há mais de 30 anos não venceu. A geração que lançou este “novo” paradigma político em Portugal, salvo poucas exceções, instalou-se, resolveu o seu problema de conforto, dos seus familiares e amigos, promoveu uma teia legal de promoção da impunidade e protecionista de determinados estratos da população e grupos de interesse, lançou uma segunda geração de políticos profissionais, onde as palavras trabalho, solidariedade, igualdade, são usadas fluentemente nos seus discursos sofistas de ocasião, mas raramente percebidas, sentidas ou já experimentadas.
E como já muitos disseram, “o desporto é o espelho da sociedade” e em épocas de crise económica, social e de valores, a violência latente e efetiva aumenta e é transportada para “palcos” onde tudo parece permitido, e de facto é! Nada melhor que o Futebol para “distrair” e animar os cidadãos durante noventa minutos e mais alguns de tempo extra para desacatos, para descarregar a frustração nos que parecem ou não adeptos de outras equipas, na própria equipa em caso de resultado adverso ou simplesmente destruindo património pago por todos. É o descarregar simbólico sobre um sistema de leis onde não há justiça, sobre uma troika que nos esmaga diariamente, sobre o amanhã de mais uma surpresa que nos entristece.
Por outro lado, o sistema de ensino permissivo que conhecemos há mais de duas décadas, pouco exigente, que progressivamente desautorizou os educadores, numa sociedade que não está preparada nem treinada para a ética e para a deontologia, que formou gerações impreparadas para hoje conviver com o “fair-play”, aceitar regras, conhecer as fronteiras da liberdade, saber lidar com o sucesso e insucesso, saber perder e saber ganhar, arrastou-nos para uma atualidade desprovida de referências, de raros “bons exemplos” e sempre mal promovidos! Para muitos é fundamental voltar à Escola, não apenas para validar competências, mas para adquirir comportamentos!
O Futebol e o Desporto, mesmo assim, tentam dar o exemplo. A justiça é em regra mais rápida, quer se trate de sansões desportivas, quer se trate de sanções materiais. Os recursos a outras instâncias têm limites e não se perdem no esquecimento nem no tempo! Esta semana ficamos a saber que o Sporting vai pagar ao Benfica uma indemnização de 359.338 euros por decisão do Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol após um incêndio causado no passado dia 26 de novembro no estádio do Benfica por adeptos do clube rival. Esta decisão, na qual me revejo, só peca por não recair sobre as pessoas responsáveis pela destruição do património do clube em causa. Espero que seja um exemplo e que a “mão” da Federação continue “pesada” para os clubes e dirigentes que não controlam a sua atividade, talvez os leve a pensar duas vezes quando protegem grupos de adeptos de sanidade duvidosa. Como se sabe, quem brinca com o fogo tem grande probabilidade de se queimar. Esperemos melhores dias e mais responsabilidade social para quem tem necessariamente que educar, controlar e punir comportamentos inaceitáveis. Pede-se mais futebol e menos violência!




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