Fotografia:
Ficar na história…

Faz em outubro 37 anos que Mesquita Machado tomou conta do poder na Câmara de Braga. Este longo “reinado” é surpreendente e controverso, dado que foi o primeiro e único presidente eleito desde a implantação da democracia neste país em 1974. É um dos poucos autarcas que conseguiu resistir ao natural desgaste político a que são sujeitos todos aqueles que exercem cargos de eleição política. E se não fosse a nova lei da limitação de mandatos, teríamos, por certo, presidente para muitos mais anos.

Armindo Oliveira
18 Jan 2013

Este facto é sintoma evidente de um regime acomodado, medroso e com défices assinaláveis de cidadania. A democracia não pode tolerar mais estes absurdos. Um apego inaudito ao poder e democraticamente inaceitável.
A imprescindível e necessária alternância de governação não passa de uma mera figura de retórica, sem sentido e perfeitamente descontextualizada de um tempo de profundas alterações sociais, tecnológicas e científicas. O mundo da política em Portugal continua a pautar-se pelos arquétipos de um passado recente em que o medo da mudança e a temível retaliação impedem a evolução natural de um povo a caminho da liberdade consciente e positivamente assumida. Ainda somos uma nação que reage mal à inovação e ao empreendedorismo. À frontalidade, à participação cívica e à crítica. Preferimos viver debaixo da chapelada de um poder obsoleto, mas que nos vai mitigando os legítimos anseios com insignificantes lampejos descoloridos que adornam os capítulos de uma história enfadonha marcada por obras inúteis que se projetam num tempo de míngua e de nítidas desigualdades.
A história da democracia, amarfanhada na sua essência, não permite que se estabeleça padrões comparativos de desenvolvimento social. Certezas existem no campo da intervenção cívica e cultural e destas mazelas a fatura está a ser paga de forma intensa por todos os portugueses que foram atirados para uma situação de penúria, muito complexa, onde os responsáveis pelo descalabro estão colocados comodamente à margem. Caminhamos um pouco às cegas, confiando o nosso voto e o nosso futuro sempre aos mesmos. E o resultado está presente no quotidiano das greves, das manifestações, do pasmo e da revolta pessoal.
Mas o mais surpreendente deste fim de mandato, é que o velho autarca ainda aspira e suspira voltar em 2017 às corridas eleitorais e reassumir a cadeira da CMB como se fosse sua pertença. Assim, fiz eu a leitura no escrito do Diário do Minho no dia 4 de janeiro de 2013. Está implícito nas palavras de MM que até ele próprio já se apercebeu que, nas próximas eleições autárquicas de outubro, o candidato socialista, Vítor Sousa, será derrotado, sendo ele, portanto, a reserva política do partido para 2017. É claro que MM está completamente enganado e distorce, talvez propositadamente, a realidade, porque quer dar a entender que é um político insubstituível dentro do quadro da realidade autárquica. Só que, como deve saber pela sua experiência de vida que, por certo, em janeiro de 2014, os seus “fiéis amigos” de agora não mais o reconhecerão como tal, dado que o poder girará noutra órbita e com outro movimento. E o que os “amigos” querem, é girar em volta de quem tenha efetivamente o poder e influência para se imporem como figuras de topo nos círculos político-sociais da sociedade local. Os amigos da política perdem-se e ganham-se ao sabor dos meandros do poder e das influências. A vida política tem estes encantos e estes desencantos!




Notícias relacionadas


Scroll Up