Fotografia:
A procura (do mês) da… excelência

Com o sugestivo título “Quer um filho futebolista? Então faça-o na Primavera”, um jornal desportivo abordou a temática relacionada com estudos realizados sobre os meses de nascimento dos futebolistas em diferentes países e concluiu que a maioria nasceu no 1.º trimestre do ano. Este estudo permitiu-me enfim perceber porque não vinguei como futebolista (nasci em novembro) e num mercado saturado de “olheiros” ou prospetores, possibilita o aparecimento de uma nova área de intervenção: os incentivadores a relações sexuais em períodos “férteis em futebolistas”.

Carlos Mangas
18 Jan 2013

Na realidade o que acontece é que sendo o ano civil que determina os diferentes escalões de formação, os nascidos no 1.º trimestre, estão geralmente um passo à frente dos colegas mais novos, enquanto a estatura e maturação forem motivo de diferenciação, levando a que sejam mais vezes primeiras escolhas, com as consequentes vantagens que daí advêm.
No entanto, com a procura de novos valores a realizar-se em idades de um dígito apenas, aumenta exponencialmente a margem de erro na avaliação, pelo que será fundamental definir o que privilegiar na pesquisa. Pelo conhecimento que tenho na área, eu apontaria três características: coordenação/destreza motora, velocidade de deslocação/execução e… ótima relação com a bola. Na minha perspetiva, na ausência de uma destas caraterísticas podemos encontrar um provável jogador de futebol, mas nunca, alguém com potencial para ser um executante de excelência. A estas caraterísticas inatas para que este “projeto” de jogador ganhe alicerces para se distinguir dos demais, temos de ir juntando, à medida que ele for crescendo em idade e maturação futebolística, tudo o que, podendo parecer acessório vai ser o “cimento” que une os tijolos e permite que um dia…” a casa não venha abaixo”.
Eis algum do “cimento” que, em meu entender, é imprescindível:
– Adorar aquilo que faz, pois só assim terá motivação constante para dia a dia trabalhar afincadamente de forma a colmatar as insuficiências existentes (ninguém é perfeito) e melhorar ainda mais as potencialidades pelas quais já se diferencia.
– Querer aprender e saber fazê-lo através de uma capacidade de superação constante. Isto é, acreditar que as suas potencialidades e aptidões podem e devem evoluir para um nível superior se forem sujeitas a novos desafios com diferentes e progressivos graus de exigência, sendo por isso necessária uma focalização constante naquilo em que se apostou como modo de vida.
– Ter criatividade e/ou “nonsense” futebolístico. Uma vez que o futebol se assemelha cada vez mais a um jogo de xadrez, aquele que conseguir sair da norma e fazer algo inesperado, será “a chave mestra” que poderá abrir as mais diferentes portas (leia-se, balizas adversárias) destacando-se assim dos demais.
– Colocar a criatividade ao serviço do grupo em que esteja inserido. Para isto, é necessário ser portador de elevada inteligência emocional e comportamental, pois, sendo o futebol um jogo coletivo, quem não perceber e souber gerir relacionamentos com colegas, treinadores, dirigentes, árbitros e adversários, estará fatalmente condenado ao insucesso, independentemente de todas as outras caraterísticas anteriormente mencionadas que possa até possuir e/ou produzir em “excesso”.
É por tudo isto que a existência de um trimestre ideal para produzir futebolistas, a mim, não me convence. No futebol como em qualquer outro ramo da atividade humana, a excelência acontece, quando aliado a caraterísticas inatas, existe um imenso e árduo trabalho nas mais diversas e diferentes áreas do comportamento humano.




Notícias relacionadas


Scroll Up