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Por onde andam os docentes?

Segundo números disponibilizados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) e divulgados pelo “Diário do Minho” na sua edição de ontem (quarta-feira), o concelho de Braga “tem no ensino público um professor para 7,66 alunos”. Mais: no caso do 3.º ciclo do ensino básico, aquele “rácio” desce abruptamente para um professor por cada 4,41 alunos! Como parece evidente, estes números remetem para uma “média”. E as “médias”, como sabemos, são frequentemente falaciosas. Fazem sempre lembrar a história dos dois esfomeados a quem foi dada uma galinha: um deles comeu a galinha inteira, o outro morreu à fome – mas a “media” considerou que cada um deles ingeriu… meia galinha!

Victor Blanco de Vasconcellos
17 Jan 2013

Todavia, mesmo descontando o substrato falacioso que a frieza dos números possa conter, qualquer cidadão abre a boca de espanto ao saber que há um professor para 7,66 alunos. Porque só pode concluir-se uma de duas coisas: ou os números disponibilizados pelo INE estão errados (e não é crível que tal aconteça), ou então há muitos professores que não exercem, de facto, essas funções.
No início do último verão foi tornada pública, pelo Ministério da Educação e da Ciência, a obrigatoriedade de as turmas serem constituí-das por um número que oscila entre os 26 e os 30 alunos (à exceção de algumas situações especiais, como turmas que integrem alunos com deficiência, etc.).
Ora, se as turmas oscilam entre os 26 e os 30 estudantes, os números agora divulgados pelo INE e o respetivo “rácio” só podem levar à (simplista?) conclusão de que há um número elevadíssimo de professores que, na prática, não o são.
Sabem os pais que acompanham o processo escolar dos filhos que há docentes nas escolas que, para além das aulas propriamente ditas, exercem outras funções de natureza pedagógica, por ventura não menos importantes que as aulas, funções essas que podem dar origem a uma diminuição do número de lições a que estão obrigados. Mas isso não justifica tudo: o “rácio” que se extrai dos números agora divulgados pelo INE é demasiado absurdo para ser compreendido pela população portuguesa. Uma situação que, aliás, parece contrariar a recente notícia veiculada pelo Ministério da Educação e da Ciência que aponta para a “efetivação” próxima de mais seis mil docentes…
Numa análise “simplista” de tudo isto, só se pode compreender aquele “rácio” se houver vários milhares de docentes que estejam efetivamente a trabalhar fora das escolas, noutro tipo de atividades e funções, ainda que sendo contabilizados (e pagos) como… professores.
Qualquer que seja o motivo, porém, destas (aparentes?) discrepâncias contabilísticas, a bem da dignididade da classe docente e da educação pública, tanto os professores como o Ministério da Educação e da Ciência deveriam esclarecer (e “enquadrar”) a população portuguesa sobre o que realmente se passa. Porque, se esse esclarecimento público não for feito rapidamente e sem falácias, é todo o sistema educativo português que cairá em descrédito.




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