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Os melhores do mundo

Pela terceira vez em ligação ao Prémio “A Bola de Ouro” da revista francesa “France Football”, a FIFA elegeu os melhores do mundo na modalidade de futebol, destacando jogadores, treinadores e marcadores de golos, numa iniciativa que envolve uma ampla cobertura mediática global. O Prémio “Bola de Ouro FIFA” resulta da fusão de dois galardões: a “Bola de Ouro” – que remonta a 1956 – e o Prémio do Jogador do Ano FIFA – iniciado em 1991 e que chegou a ser conquistado pelos Portugueses Luís Figo (em 2001) e Cristiano Ronaldo (em 2008).

17 Jan 2013

Cumpridas as formalidades eletivas que abarcam, em diferentes fases, técnicos da FIFA e especialistas do France Football e capitães e selecionadores dos diferentes países, os diversos prémios são anunciados e entregues numa Gala de cariz hollywoodesco, que tem lugar em Zurique, no início de cada ano.
Nesta ocasião, e por entre outros prémios, é ainda atribuído o Prémio de Treinador do Ano, cuja criação remonta também ao ano de 2010 e que consagrara José Mourinho e Pep Guardiola nas suas duas primeiras edições.
Uma vez apurados os resultados, Messi conquistou o seu quarto troféu consecutivo (incluindo a edição de 2009 dos prémios originais) o que lhe permitiu superar o registo histórico de atletas como Michel Platini, Johan Cruijff e Marco Van Basten – que conquistaram três Bolas de Ouro cada –, e Zidane e Ronaldo – que haviam conquistado três edições do Prémio do Jogador do Ano da FIFA.
Se, por mais patriotas que queiramos ser, parece hoje inquestionável que Messi é mesmo o melhor jogador do mundo da atualidade (quiçá de todos os tempos), a atribuição do Prémio de 2012 ao argentino já suscita grandes dúvidas na medida em que a avaliação se devia centrar no ano de 2012.
E, neste caso, embora Messi tenha conseguido bater o histórico recorde de golos num ano civil que se mantinha na posse de Gerd Müller desde 1972, a verdade é que Cristiano Ronaldo guindou (com um número considerável de golos e exibições determinantes) o Real Madrid ao título na Liga Espanhola numa disputa travada contra o Barcelona de… Lionel Messi.
De forma similar, é muito discutível a eleição de Del Bosque para treinador do ano face ao Melhor Treinador do Mundo, José Mourinho, no ano em que este conquista o título nacional no quarto País diferente, de entre as mais competitivas Ligas mundiais.
Na verdade, porém, há três aspetos que cumpre destacar em relação a este tipo de iniciativas.
O primeiro, é que o cariz comercial que envolve o negócio do futebol e em que a própria FIFA está profundamente mergulhada, retira alguma da genuinidade a estes galardões, sendo sempre possível presumir outros interesses estratégicos nas eleições efetuadas.
O segundo, é que quando constatamos que há alguns dos votantes que excluem Messi, Ronaldo ou ambos dos três melhores do mundo, a credibilidade da votação fica seriamente abalada.
Finalmente, e porque nos faz sempre falta uma vitória moral, em quantas áreas é que podemos dizer que somos os segundos melhores do mundo?




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