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Ecos do clássico

Antes do jogo entre Benfica e FC do Porto, durante cerca de uma semana, os temas mais debatidos foram a nomeação do árbitro e a troca de provocações entre os dois técnicos. Depois do jogo, os temas mais debatidos foram o desempenho do árbitro e a troca de provocações entre os técnicos. No entanto, para um apaixonado pelo futebol que não seja adepto de nenhum desses dois clubes, há uma verdade que, ao que parece, é a que menos interessa aos referidos adeptos: foi um grande jogo de futebol!

Manuel Cardoso
17 Jan 2013

É certo que houve alguns erros dos árbitros e também é certo que houve dois ou três lances que não foram propriamente de futebol mas de um desporto que está por inventar e que se chamaria qualquer coisa como “deitar abaixo o adversário dê por onde der”. Mas, exceção feita a esses pormenores, foi um jogo digno de grande qualidade.
Curiosamente, os motivos que aponto para esta apreciação são bem distintos e correspondem a duas partes completamente diferentes que o jogo teve: uma primeira parte que foi um hino ao futebol ofensivo e uma segunda parte de grande nível em termos táticos, com desempenhos excelentes por parte dos treinadores.
Alguns adeptos do FC do Porto acusam Vítor Pereira de ser pouco corajoso, de não colocar os jogadores na posição certa e de não acertar com as substituições. Nada disse se viu neste jogo. Se Jorge Jesus esteve bem, V. Pereira esteve excelente.
Para um adepto do SC de Braga é difícil escrever isto, mas é a verdade (pelo menos a minha verdade): neste momento, Porto e Benfica exibem um futebol qualitativamente muito melhor que o de todas as outras equipas, a nossa incluída. No momento em que escrevo ainda não se disputou o jogo da Taça de Portugal, com o Vitória; espero que a minha opinião seja um pouco alterada por esse desafio. No entanto, o que eu vi no jogo da Luz foi um confronto entre duas equipas muito equilibradas, coesas, com o meio campo a funcionar como mandam as regras: como construtor de jogo mas também como tampão eficaz do poder ofensivo adversário.
De um lado, um médio defensivo que, embora demasiado viril, desempenha o seu papel na perfeição (Matic) bem acompanhado por dois grandes trabalhadores. Do outro lado, um trio de enorme qualidade onde se destaca um caso único no futebol português, que é João Moutinho.
É certo que estas duas equipas têm orçamentos muito superiores a todas as outras; mas também é verdade que deixam em campo todo o esforço e um rigor tático que não vemos noutras equipas. SC de Braga incluído.
Tenho dito várias vezes que podemos e devemos aprender muito com os erros dos outros; mas também temos de ter humildade suficiente para aprender com as qualidades dos nossos adversários. Lucho González e Enzo Perez, por exemplo, são jogadores com grande qualidade na construção de jogo ofensivo; mas são também enormes apoios na organização das estratégias defensivas. E (quase) todos nós sabemos que a segurança defensiva é o primeiro passo para ganhar jogos.




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