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Democracia e diálogo

Sexta-feira, 11 do corrente mês de janeiro. No Parlamento decorre uma sessão sobre problemas relacionados com a economia. O presidente da Mesa tem necessidade de solicitar aos parlamentares que façam silêncio a fim de permitirem que se ouça a intervenção do Ministro da Economia. Infelizmente não é esta a única vez que quem preside aos trabalhos tem necessidade de apelar a que se criem as condições necessárias para que possa ser ouvido quem está no uso da palavra. 

Silva Araújo
17 Jan 2013

Enaltece-se a importância do Parlamento. Chama-se-lhe a Casa da Democracia. Importante é também que o mesmo Parlamento seja,  sempre, a Escola da Democracia.
 
Apoio a transmissão televisiva dos debates parlamentares. Como sempre defendi a abertura ao público das sessões das câmaras e das assembleias municipais. Não entendo porque as haja à porta fechada, sem a presença, pelo menos, dos representantes da Comunicação Social.
Os cidadãos têm o direito/dever de saberem do que se passa em tais sessões. De conhecerem as posições que toma cada um dos partidos políticos nelas representados.
Sei que a grande maioria dos cidadãos, pelos mais diversos motivos, não pode assistir. Que alguém – e aqui está uma das grandes missões dos Meios de Comunicação Social – se encarregue de assistir para que, depois, – com a fidelidade, a independência, a imparcialidade desejáveis – transmita aos restantes cidadãos o que ali se passou.
 
O diálogo faz parte da essência da democracia. E o diálogo é o direito de falar e o dever de ouvir.
Que cada um tenha vez e voz. Que cada um possa, com toda a liberdade, apresentar as suas opiniões e defender o que considera serem as melhores soluções para os problemas da comunidade. Que seja ouvido com respeito, sem interrupções e sem àpartes desnecessários. Que exponha com toda a clareza os seus pontos de vista sem ofender quem tem opiniões divergentes. Mas que, depois de apresentar e defender as suas hipóteses ou as suas teses, seja todo ouvidos para escutar as hipóteses ou as teses apresentadas pelos outros. Que lhe seja respeitado o direito de replicar as vezes que julgar conveniente. Mas sempre falando quando lhe é permitido falar e ouvindo quando deve ouvir. Com correção e com respeito pelos outros.

Da essência da democracia também faz parte o direito de discordar. Que tal direito seja respeitado e exigido, sempre no respeito pelos que defendem a opinião contrária.
E que quem procura realmente o bem comum saiba analisar devidamente as posições defendidas pelos seus opositores, reconhecendo o que nelas há de bom e de válido.
 
Um verdadeiro democrata age com a consciência de que, em questões discutíveis, ninguém é dono da verdade total. E a melhor solução para os problemas da comunidade pode resultar do que contêm de válido e de exequível as diversas soluções apresentadas. Pode estar na síntese de quanto se disse.
 
A verdadeira democracia constrói-se com autênticos democratas. E autênticos democratas não são os que apregoam democracia mas quantos, no dia a dia, procuram agir democraticamente.
Que bom seria se todos procurássemos dialogar como convém, sabendo escutar e sentindo-nos escutados!




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