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A lei da mudança (I)

A problemática cosmológica relativa à constituição do universo numa tentativa da sua explicação sempre preocupou os filósofos desde a antiguidade. Deste modo, o pré-socrático, Heraclito entendeu que, no mundo, tudo está em permanente transformação, a não ser a própria mudança. “Não há nada permanente excepto a mudança”. Este aforismo é mais verdadeiro do que nunca na nossa era de evolução tecnológica e de pesquisa espacial. Viver neste dealbar do século XXI é experimentar um dos mais revolucionários períodos da História.

Artur Gonçalves Fernandes
17 Jan 2013

Tal como os pedaços de vidro colorido mudam de posição num caleidoscópio para formar novos desenhos, assim as forças do progresso tecnológico e das revoluções científicas modificam o esquema das nossas vidas. Hoje vive-se num mundo muito diferente do que existia ainda há poucos anos atrás e o amanhã vai trazer alterações ainda mais espetaculares.

As modificações dinâmicas surgidas na vida do homem nos últimos tempos foram quase todas devidas, em grande parte, ao trabalho de inventores, cientistas e técnicos. Nesse período, o homem fez mais para modificar o ambiente do que em toda a história passada. Construiu túneis através de montanhas, atravessou e dominou rios e converteu terras cultiváveis e florestas em centros industriais. Erigiu altíssimos prédios para escritórios e habitação, delineou super-auto-estradas através de continentes e instalou fábricas racionalmente concebidas. Modificou a face da terra de variadíssimas formas. Vivemos numa era essencialmente tecnológica. O nosso mundo está a transformar-se a uma velocidade indescritível. Basta lembrar que nas últimas décadas se puseram homens no espaço, traçaram-se órbitas em redor da terra, inventaram-se satélites artificiais para comunicação instantânea entre todos os pontos da Terra e viajou-se mais depressa que o som. E o maior feito científico da História foi enviar homens para a Lua, andar sobre ela e regressar a salvo ao nosso planeta. Por que não há-de o homem, depois de ter conquistado a energia e a matéria, estabelecer o mesmo domínio sobre si mesmo? Para que serve todo o nosso progresso material, se não nos tornarmos melhores? Pior ainda. Para que serve todo este progresso se ele também for (e tem sido, muitas vezes) utilizado em prejuízo da própria humanidade? Este é o reverso negativo de todas estas mudanças originadas pelo referido progresso. Recordem-se as guerras sofisticadas que têm dizimado milhões de pessoas a que se pode acrescentar toda uma espécie de outras aberrações por todos nós conhecidas. Hoje em dia estão a dar-se alterações drásticas e dramáticas, sob o ponto de vista pessoal, social, político e económico. Tais alterações podem ser confusas para quem não tiver compreensão e conhecimentos suficientes para enfrentar o futuro. O tempo muda, as pessoas evoluem, as condições modificam-se e as nações tornam-se diferentes. A tecnologia transformou-se no novo método da vida humana, invadindo todas as instituições e atividades sociais e pessoais. A força tecnológica tem não só um efeito físico, ao modificar a maneira material de se viver, mas também outro na área psíquica, daquele derivado e a ele intimamente associado, o qual implica uma revolução mental e social. O aumento súbito da tecnologia criou problemas de magnitude extrema. Os velhos costumes desintegraram-se, as relações entre pais e filhos, professores e alunos, patrões e empregados transformaram-se; enfim, tudo mudou. Têm havido maiores descobertas técnicas  e maior progresso científico, no espaço de uma vida dos nossos tempos, do que em toda a história anterior. Oitenta e cinco por cento dos grandes cientistas humanos, devido às condições tecnológicas, são das últimas décadas e uma parte deles ainda vivem.




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