Fotografia:
Pistas falhadas

1 – Quando alguém se perde num bosque). Quase todos nós somos um pouco curiosos ou aventureiros. E já terá sucedido nas nossas vidas que nos tenhamos alguma vez adentrado por território desconhecido e hostil. Ao ponto de a certa altura nos perdermos e de não sabermos exactamente onde estávamos. Para uns isso passou-se num monte, para outros numa qualquer floresta, para outros ainda, numa cidade desconhecida. Soubemos entrar mas não soubemos como progredir, pois nem sequer sabíamos ao certo onde estávamos.

Eduardo Tomás Alves
15 Jan 2013

Mesmo quando andamos de carro, podemos meter-nos por caminhos não sinalizados; ou pode formar-se um forte nevoeiro que nos desorienta; ou cair um nevão que cubra todas as placas de orientação rodoviária.
Numa qualquer destas 6 situações, a reacção instintiva das pessoas prudentes é não avançar mais. É parar para ver (ou tentar deduzir) onde se encontram. Visto considerarem que o ambiente ou o lugar são desconhecidos, perigosos, hostis, problemáticos. E em função de tudo isto, manter a calma e recuar pelo mesmo caminho que nos levou lá, tentando reconstitui-lo passo a passo. Fazer marcha atrás.
Quando se peca, ou se erra, o primeiro passo é reconhecer o erro ou o pecado. Sem isso nada feito. Continuaremos a errar e a pecar. Atolar-nos-emos mesmo ali naquele erro. Daí não iremos sair. Pereceremos, desapareceremos agarrados àquela maneira de pensar. Como D. Sebastião em Marrocos. Como Varo na Germânia. Ou como Hitler e Napoleão na Rússia.
2 – “Estavas ó linda Inês posta em sossego”). Em 1974 a guerra de África era lá muito longe e corria menos mal (e sobretudo valia bem o sacrifício). Só que já durava há 13 anos e parte dos oficiais estava cansada, ao ponto de pôr os seus interesses pessoais à frente dos interesses da Pátria. Na Metrópole havia também uma activa minoria de 20 ou 30% da população a quem era indiferente que a guerra terminasse com um abandono dos preciosos territórios africanos. Em nome sobretudo da pouca vontade de mandar os filhos à tropa. E esquecendo que a retirada iria implicar o regresso forçado de quase 800.000 expoliados portugueses, todos eles parentes dos próprios metropolitanos derrotistas…
Certos oficiais subalternos deram então o golpe e, para surpresa só de alguns, o antigo Regime caiu de velho, para mais corroído pelas propagandas maçónica e comunista.
3 – O falhanço da pista comunista). Bem organizados frente a uma população distraída e habituada à boa-fé da era salazarista, os comunistas tentaram em 74-75 assenhorear-se gradualmente do Poder. Tomaram jornais, televisões, rádios, herdades, fábricas, universidades, escolas e o próprio Alentejo. No verão de 75 esteve quase para haver uma guerra civil. Porém, a coragem de Eanes e Jaime Neves em Novembro e umas eleições em que o PCP só obteve 15% dos votos anularam até hoje a ameaça do radicalismo de esquerda. Felizmente o povo não tem querido esse desassossego, que as novas gerações nem imaginam…
4 – O falhado interlúdio democrático). Verdadeira Democracia só a terá tido Portugal entre 1976 e 1992. Os grandes líderes foram Soares, Sá Carneiro (assassinado), Eanes e Cavaco Silva. Só que o último, a partir de certa altura foi transformando a sua social-democracia inicial num ultra-liberalismo de inspiração reaganiana e thatcheriana. Ao ponto de aceitar a estúpida doutrina da Globalização. E de aceitar a perda “parcial” da independência e o tão negativo fim do escudo, a moeda nacional. Isto aconteceu por 1992 (tratado de Maastricht) e acredito que hoje o estimável prof. Cavaco esteja amargamente arrependido desses passos, mas não goste de o confessar.
5 – O completo falhanço da Globalização e do Liberalismo Económico). Depois de 92 começámos a receber subsídios para desmontarmos boa parte do nosso aparelho produtivo. Foi um erro. E consoante o combinado, os subsídios iriam diminuir. Habituados a gastar muito mais que o que tínhamos, estamos agora fortemente endividados (e Sócrates em 6 anos quase duplicou essa dívida). Tivemos por isso de implorar para sermos resgatados. E como disse Gaspar, somos agora “um país de programa”. Stalingrado, Alcácer-Quibir, Teutoburgo estão ao virar da próxima curva. Perdidos no meio da floresta, bem podemos agora pois reflectir sobre se 1974 valeu realmente a pena… Finalmente.




Notícias relacionadas


Scroll Up