Fotografia:
O túnel

Anda há algum tempo, a martelar-nos na cabeça, a possibilidade de concretizarmos um objectivo: voltarmos à prosperidade. De quando em vez, alguém vai falando nisso como algo que é possível. Naturalmente, com algumas condições, umas dependentes de nós, outras não. Precisamos de passar o túnel. Só que não sabemos ainda qual o comprimento, se é seguro, se nos leva a boas vistas, se está desimpedido e outras matérias relacionadas. É natural que se o tivermos de atravessar – dizem-nos que sim, se quisermos chegar ao país prometido – queiramos saber algo sobre o mesmo. O pior que nos poderia acontecer era entrar num buraco escuro, negro como breu, e ficarmos de repente sem combustível ou sem bateria.

Luís Martins
15 Jan 2013

Lembrei-me de escrever sobre isto depois de uma colega me ter falado um dia destes das dúvidas sobre o comprimento do túnel. Pertinente. De facto, se o túnel é muito comprido, dificilmente vemos, no primeiro olhar, luz na extremidade de saída. Além de comprido, o túnel pode ter curvas, o que dificulta, e de que maneira, que se veja luz do outro lado. Mas mesmo que não haja curvas, que seja mesmo em linha recta, se for comprido, e há-os assim, a luz não se vê logo ao fundo. Bom, se usarmos um binóculo, talvez seja possível. No entanto, não é normal andarmos com um no bolso. Se o dito for de grandes dimensões, podemos precisar de um aparelho bom, com zoom bastante para ver a grandes distâncias e com leitura que não deixe dúvidas.
Mas pode haver ainda outros problemas. Mesmo que o túnel tenha um comprimento pouco significativo, coisa para se percorrer em pouco tempo, há condicionantes que não podem deixar de se considerar. O momento em que é atravessado é importante. Pode acontecer de chegarmos ao fundo e não vermos a dita luz. Se o tempo estiver mau, mesmo que seja hora de estar acordado, a visibilidade pode não ser suficiente. E pode acontecer que o fim do túnel, mesmo com boa luz, seja precedido de obras que impeçam a concretização do objectivo. Certamente que outras situações podem acontecer.
Às vezes, os túneis têm derivações no seu interior, podendo, quem os percorre, tomar direcções diferentes. Ora, se conhecermos bem o destino, entramos no que quisermos,  preparados para mudar de direcção a certa distância. Pelo contrário, se não soubermos nada do túnel, pode acontecer de termos de decidir num instante, em cima do acontecimento, podendo provocar algum acidente e sermos responsabilizados ou até nos perdermos, o que acontecerá se tomarmos uma direcção, já dentro do túnel, que não nos leve ao ponto que queremos atingir.
A complicar a já, por si, difícil travessia, o túnel pode, além de curvas, ter sido desenhado com subidas e descidas, mesmo que ligeiras. Embalados numa descida, por nos parecer mais fácil, pode bem acontecer que o GPS fique sem rede e nos percamos nalgum labirinto. É preciso pensar, se não em tudo, pelo menos em muitos aspectos, para não sermos surpreendidos por questões menores que podem causar grandes dramas.
Certo é que vislumbrar a saída do túnel só percorrendo-o. Durante o ano, chegaremos ao fim, ou ficaremos ainda no início? Se estivermos longe, podemos não atingi-lo. Um empecilho pode prejudicar o andamento. A fila fica, de repente, comprida. Alguns podem não poder ou saber sair de lá. Os gases dos escapes sufocarão os mais frágeis. Famílias inteiras que acreditarem e decidirem atravessar o túnel podem ficar pelo caminho. As obras podem parar. Não seria caso único.
E o que dizer da largura do túnel? Uma ou duas faixas? Um ou dois sentidos? Haverá espaço de manobra no percurso do túnel para inverter o sentido de marcha? Ou, pelo contrário, é estreito e de sentido único? Quem sofrer de claustrofobia terá alguma chance? A imaginação de cada um pode suscitar mais perguntas. Se as respostas forem animadoras, a decisão só pode ser seguir em frente. Se alguma coisa falhar, todos os que estiverem no túnel, na altura, podem ficar soterrados. Vamos lá a não dar cabo do esforço que todos temos feito!




Notícias relacionadas


Scroll Up