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Gérard Depardieu

Gérard Depardieu, ator, cineasta e empresário francês, fugiu aos impostos franceses para ricos, e naturalizou-se soviético com o aval do primeiro-ministro Vladimir Putin, homem do socialismo que se adaptou facilmente ao capitalismo. Se a moda pega, a fuga de capitais europeus escafedem-se todos para a Rússia que baterá palmas a tanto dinheiro.

Paulo Fafe
14 Jan 2013

Quem diria que um país de génese comunista haverá de virar capitalismo protegido! Escândalo em França? Pelo menos para os que pensam que o ator deveria ajudar as finanças gaulesas, uma vez que foi lá que se fez célebre e rico, enquanto outros entendem que a taxação de 75% sobre os rendimentos dos ricos é não só um exagero como um esbulho ou mesmo um assalto descarado de um governo socialista. Na verdade, a qualquer um de nós parece um roubo ou, se quisermos ser mais suaves, uma nacionalização de capitais ganhos honestamente; segundo se sabe nada consta que Depardieu tenha adquirido os seus lucros ilicitamente, o mesmo que é dizer que tudo quanto ganhou foi  sob a justiça e leis francesas. Nada indiciaria que um dia um governo, por ideologia socialista, assaltasse as carteiras dos ricos e lhes tirasse desta maneira tão pouco ortodoxa, os lucros de negócios lícitos. Se aqui falamos de Gerard Depardieu é para dizer que quando o fisco assalta os ricos eles fogem com os dinheiros para onde as taxas sejam menores e suportáveis. Aqui, em Portugal, já vamos em 26,5% de imposto de capitais o que significa que já não é aliciante ter dinheiro em Portugal. O aliciante é ser-se cidadão de um país onde se contribua menos sobre os lucros.  Os que advogam a taxação muito alta para os que ganham muito, sabem que a fuga de capitais favorece a saída dos mais ricos enquanto contribui fortemente os pequenos aforradores. Uma pessoa que poupou toda a vida e julgava poder viver dos juros das suas poupanças, em Portugal, já não vive; terá que procurar colocar as suas poupanças na Bélgica, na Rússia, por exemplo. Terá as suas dificuldades mas a verdade é que se não ajuda o país onde vive é porque o país onde vive o não ajuda a ele. Não faltam países que acolhem com as duas mãos os capitais avultados e estes é que fazem falta ao país.  Depois queixam-se da Jerónimo Martins e quejandos. Um destes dias dizia o sr. Joe  Berardo  que em Portugal havia perseguição aos ricos ainda que noutro contexto, mas irmanado no mesmo pensamento. Na verdade assim parece. Ser-se rico neste país é ter de ser ladrão de si mesmo, isto é, deve esconder o que tem como se o roubasse. Parece existir um socialismo selvagem a competir com um capitalismo selvagem. Dos dois venha o diabo e escolha. Donde vem este horror a quem o tem? Por acaso roubou-o? Espoliou alguém? Abusou da sua posição? Atropelou as leis? Viciou os dados? Se não, então por que razão não lhes deixar os lucros transformarem-se em investimento nacional em vez de  “obrigá-los” a ir investir noutras paragens? O que valerá mais, 13% sobre poucos, mas muito ricos ou 26% sobre muitos pobres? É uma questão de contas. Todo o dinheiro que fica no país e é investido, ou mesmo gasto, cumpre a sua função social porque gera emprego e este gera paz social, desenvolvimento económico e acima de tudo dignidade humana. O que sai ou fica retido sem nada produzir não enriquece antes empobrece. Depardieu mostrou aquilo que se dizia em silêncio que ensurdecia: quando o governo é ganancioso na contribuição, dá de barato aos ricos o pretexto da fuga.




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