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A minha leitura (2)

(Continuação)
“De vários lados se reconhece que, hoje, é necessário um novo modelo de desenvolvimento e também uma nova visão da economia”
Sempre atento aos “sinais dos tempos”, e profundo conhecedor dos diferentes modelos seguidos pelos responsáveis das nações, nomeadamente as mais evoluídas, ou em vias de desenvolvimento, o Sumo Pontífice esclarece: “o modelo que prevaleceu nas últimas décadas apostava na busca da maximização do lucro e do consumo, numa ótica individualista e egoísta que pretendia avaliar as pessoas apenas pela capacidade de dar resposta às exigências da competitividade”.

Domingos Alves
13 Jan 2013

Ora, é esta competitividade, por vezes excessiva e até desenfreada, quase sempre na mira do lucro fácil, sem olhar a meios ou consequências, que o Papa condena, antes sugerindo uma prática de desenvolvimento sustentável, onde impere a reciprocidade solidária entre os respetivos intervenientes. Daí, que “o obreiro da paz aparece como aquele que cria relações de lealdade e reciprocidade com os colaboradores e os colegas, com os clientes e os usuários”. E mais acrescenta: “No âmbito económico, são necessárias – especialmente por parte dos Estados – políticas de desenvolvimento industrial e agrícola que tenham a peito o progresso social e a universalização de um Estado de direito e democrático”.
Referindo – se especificamente aos mercados – monetário, financeiro, e comercial, Bento XVI defende que “devem ser estabilizados e melhor coordenados e controlados, de modo que não causem dano aos mais pobres”. Considerações por demais lúcidas face, por exemplo, ao que hoje acontece com a verdadeira tirania dos mercados financeiros sobre as economias dos países mais carenciados, a quem supostamente vão retirando idoneidade político/económica, e assim abrindo caminho para a imposição de juros elevadíssimos para satisfação de empréstimos contraídos junto dos mais poderosos.
Após referir que “a família é um dos sujeitos sociais indispensáveis para a realização de uma cultura de paz”, Bento XVI conclui afirmando que “há necessidade de propor e promover uma pedagogia da paz. Esta requer uma vida interior rica, referências morais claras e válidas, atitudes e estilos de vida adequados”. Com efeito, a paz, a verdadeira paz, deve começar em nós próprios, na nossa consciência, corretamente formada e esclarecida perante aqueles que nos rodeiam, primeiro em família e depois na sociedade em que estamos inseridos. Assim, “é preciso renunciar à paz falsa, que prometem os ídolos deste mundo, e aos perigos que a acompanham” (…).” Ao contrário, a pedagogia da paz implica serviço, compaixão, solidariedade, coragem e perseverança” – finaliza Bento XVI.
P. S. Permitam-me, caros leitores, uma breve referência aos 25 anos de Episcopado do Sr. Arcebispo Primaz, D. Jorge Ortiga, a quem me ligam muitos anos de uma amizade que igualmente muito prezo e agradeço. Que a caridade, a nova evangelização e unidade, os “três pontos vitais” da sua pastoral, continuem a merecer o respeito e a cooperação de todos nós, e que o “abraço amigo aos jovens à procura de emprego”, endereçado na Eucaristia do passado dia 3 de janeiro, na Sé Patriarcal de Braga, encontre finalmente eco na justa, necessária e criteriosa ação dos responsáveis políticos deste país.




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