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Um olhar em redor

Procurarei iniciar este novo ano de 2013 abordando um tema aliciante, ou seja, definindo, a meu modo, aquilo que muitos designam por maturidade religiosa. Neste caso, o autêntico adulto, crente (não pode deixar de o ser, uma vez que estas questões não se colocam a um ateu), deverá personalizar a sua actividade religiosa, aprofundando as razões por que crê, procurando adquirir uma visão global da sua fé. É indispensável que continue atento às dúvidas religiosas que lhe possam surgir ou que os outros lhe coloquem, procurando esclarecê-los. E deve praticar as suas orações de um modo pessoal, perseverante e nunca interesseiro.

Joaquim Serafim Rodrigues
12 Jan 2013

Claro que me reporto aqui ao catolicismo, envolto no qual nasci, cresci e me desenvolvi, ou não se tratasse da confissão religiosa com maior dimensão no nosso país (97 por cento de católicos romanos), constituindo, portanto, o que se segue, a minha própria interpretação acerca desta matéria, baseada naquilo que sinto e, bem assim, no que ao longo da vida tenho procurado aprender.
Não considero indispensável ser-se formado em teologia para emitir uma opinião sobre este mesmo assunto, não obstante o muito apreço que me merecem, atendendo ao seu auxílio face às nossas dúvidas e, também, no tocante aos caminhos a seguir com vista à obtenção daquele mesmo objectivo – a maturidade religiosa.
Posto isto, o homem comum acaba por lá chegar, uma vez que se dedique ao estudo e à interpretação dos livros sagrados (hermenêutica), ou seja, no caso que nos interessa directamente aos textos da Bíblia. Nunca deve esquecer, porém, todos aqueles que ao longo dos tempos se anteciparam em tais estudos, como Pascal ou Descartes, para só citar estes, aos quais muito ficamos devendo perante os horizontes que nos abriram e os grandes ensinamentos que nos legaram.
Pascal, matemático, físico, filósofo e pensador genial, ensina-nos, por exemplo, que “o Deus dos cristãos é um Deus que enche a alma e o coração dos que ele possui e lhes faz sentir inteiramente a miséria que são e a sua misericórdia infinita”.
A um Deus semelhante não se chega através da razão, mas da fé; todavia, o homem deve decidir-se: deve escolher entre viver como se Deus existisse e viver como se Deus não existisse; não pode subtrair-se a esta escolha, porquanto não escolher é ainda uma escolha: a escolha negativa (ainda segundo Pascal).
Cito agora Descartes e a sua ideia acerca de Deus: “É a única ideia que não poderia vir de mim próprio, na medida em que não possuo nenhuma das perfeições que estão representadas nessa ideia”. Descartes afirma, em geral, que a causa de uma ideia deve sempre ter pelo menos tanta perfeição quanto a que essa ideia representa. Por isso, a causa da ideia de uma substância infinita só pode ser uma substância infinita, acrescentando: “a simples presença em mim da ideia de Deus demonstra a existência de Deus”.
Sendo uma das definições de Deus “ente supremo, perfeito, criador e conservador do Universo”, assim o devemos entender e sentir, atingida que seja essa maturidade religiosa. Bem-aventurados, pois, aqueles que a alcançam!




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