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Outro Ponto de Vista…

“E porquê, perguntarão os contribuintes, não se deixa o Banif ir, pura e simplesmente, à falência?”Miguel Sousa Tavares

No tempo atual de forte e brutal recessão, provocada, também, pela austeridade, reconheço que me senti indisposto com a notícia da disponibilidade do Governo em prover uma entidade financeira com mil e cem milhões de euros (?!). Indisposto, mas nada surpreendido! A falta de vergonha, ou ausência dela, parece ser uma caraterística transversal.

Acácio de Brito
11 Jan 2013

O desapego à verdade, a incúria, a incompetência e a sobranceria parecem ser realidades endémicas.
Ponto 1. Em determinados aspetos de ordem filosófica, assumo a minha preferência pela organização social que está subjacente no pensamento liberal.
Não o bacoco, o de que tudo é permitido, mas sim aquele que apela ao mais genuíno do humano, à generosidade, à busca do melhor da individualidade e o serviço autêntico à comunidade.
Ponto 2. Em outros aspetos revejo-me no que a Encíclica Rerum Novarum propõe, nomeadamente na defesa da dignidade do trabalho, ou seja do trabalhador, rejeitando as abstrações totalitárias, comunistas ou socialistas e, defendendo a propriedade privada, dando-lhe verdadeira dignidade.
Ponto 3. Reconheço que ao Estado, que deve ser sóbrio e digno, através dos governos democraticamente escolhidos, devem ser atribuídas genericamente funções de garante do bem comum, que não devem contudo extravasar os limites do eticamente aceitável.
Da definição das funções do Estado, o mesmo vai provir-se de recursos financeiros para cumprir o seu desiderato, através dos impostos pagos pelos contribuintes.
Ora, não é eticamente aceitável que uma entidade privada seja objeto de proteção, mormente, quando todos os dias muitos empresários são obrigados a fechar as portas por força da crise, muitos empregados/trabalhadores ficam sem o seu modo de sustento à família e de quem deles depende e, perante tudo isto, surgem milhões para aguentar um grupo privado financeiro.
Em qualquer país “normal”, o resultado seria o fecho do Banco, com a exigência das responsabilidades devidas aos seus gestores.
Em Portugal, nada se passa!
Não obstante, quando no final de cada mês, cada funcionário, trabalhador, aposentado e pensionista olhar para o recibo da sua remuneração observar o campo do que desconta, então será lícito perguntar se vale a pena os sacrifícios que nos exigem?
E aos que ficaram sem emprego é legítimo questionarem-se, por que razão a minha empresa não foi merecedora de igual tratamento?
Finalmente, quando muitos perderam os seus empregos, as suas casas, as suas empresas e as suas vidas, para que alguns no Governo esquecessem a vertente moral inerente à economia, recomenda-se a leitura da Encíclica de Leão XIII, tão atual, com uma sublime crítica à falta de princípios éticos e valores morais, causa primeira dos problemas sociais.




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