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Os partidos e os seus jotinhas

Quem está atento à vida política nacional, facilmente se apercebe que o país, neste momento de grande aflição económica e social, de muito desnorte e de sofrível coragem governativa, está entregue a um bando de “rapazes”, vindo das jotas, que assentou arraiais no Parlamento, nos mais diversos organismos da administração pública e até no próprio governo, quando o desejável seria que os nossos craques da política, das finanças, do mundo empresarial, da ciência tomassem conta das rédeas do poder.

Armindo Oliveira
11 Jan 2013

A falta de experiência de vida, a imaturidade intelectual e a falta de discernimento nas decisões a tomar são demais evidentes nos principais órgãos de soberania, o que é péssimo para uma governação que se quer rigorosa, credível e sustentada. Não é com gente inexperiente, sem atitude determinada, que não conhece a rudeza da vida que sempre viveu ao amparo e no conforto da carteira dos pais ou encostada ao esquema da nomeação que se pode moralizar um país e mobilizar um povo que está completamente descrente e desconfiado de uma classe política incapaz de resolver os intrincados problemas das dívidas, dos défices e das grandes desigualdades sociais.
Todos os anos, os partidos políticos enviam para o mundo da política boys com fartura, sedentos de fama e de proveito. A clientela é muita para tão pequena oferta. Esta é um das razões que me parece óbvia da falta de coragem de Passos Coelho em assumir frontalmente uma rotura com as gorduras do Estado, renegando promessas veladas feitas na campanha eleitoral. As tais gorduras do Estado não passam destas nomea-ções abusivas dos boys, ao longo dos anos, em todos os lugares da administração pública, com destaque para as Câmaras Municipais, empresas municipais, empresas públicas, instituições públicas, assessorias e outras colocações afins. Perante esta rea-
lidade, crua e bem sentida pelo cidadão contribuinte, só nos resta fazer despertar um povo que se deixou anestesiar por subsídios, por novas oportunidades, por direitos inalienáveis e por um nível de vida fictício pendurado em empréstimos e em fundos perdidos vindos de uma Europa que nos vendeu pesadelos em forma de ilusões. Enquanto chegava cá dinheiro fácil e a rodos, houve festa, fogo e brindes.
O Parlamento, a casa da feitura das leis (?), pelas quais nos iremos reger e submeter, está infestado de “rapazes” bem emproa-dos e bem treinados nas Universidades de Verão para debitar conversa fiada, mas que nunca souberam realmente dar valor à vida, nem para isso caminham. Conquistaram, por militância fiel, o direito a um lugar nas disputadíssimas listas de deputados que lhes proporcionarão em três mandatos consecutivos uma rica pensão de reforma, além de lhes garantir a abertura das portas das empresas privadas que os requisitam para demover as areias que emperram a máquina da burocracia e lhes facultar o acesso privilegiado ao mundo dos negócios dentro do universo do Estado.
O país precisa de gente madura, gente verdadeiramente livre e responsável, gente com provas dadas na gestão nos mais diversos domínios da função pública e na gestão dos privados para nos salvar deste sofrimento em que nos envolveram e que nos subjuga. As experiências governativas do passado recente, fracassos indesmentíveis e não responsabilizados como deveriam ser, seriam o sinal de alerta para se arrepiar caminho e começar a pensar seriamente em sair-se desta situa-ção angustiante. Portugal e a sua história merecem mais respeito, gente com outra dignidade e com uma verdadeira postura de serviço público. Boys, por favor, basta!




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