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Ano de fogo

No primeiro artigo deste ano gostaria de desejar aos leitores os meus melhores votos do melhor ano possível… 2013 não começou bem e as perspetivas são desanimadoras. Chegou repleto de acontecimentos muito negativos, entre as histórias rocambolescas da alta finança e da política, às guerras no médio oriente, à instabilidade em todas as áreas sociais, aos discursos pessimistas e, principalmente, das sugestões de medidas das entidades estrangeiras que nos “governam”. Estes factos, carregados de negatividade, não auguram bons ventos. As maiores “tormentas” que se avizinham poderão marcar definitivamente a nossa história. Será um ano determinante, será um ano de “fogo”!

Carlos Dias
11 Jan 2013

No desporto, o presente ano também deverá ser um ano problemático. Não há capacidade financeira para grandes investimentos, pelo que os clubes deverão marcar a sua gestão pela “sobrevivência” e “gestão corrente”. Em alguns clubes, principalmente no futebol, o cenário tem-se mantido com saldo deficitário. É uma história já antiga, que se tem prolongado ao longo de muitos anos e está relacionada com a débil saúde financeira dos clubes, muito agravada pela carga fiscal. Mas o problema maior é a atitude de alguns dirigentes que, perante a insustentabilidade financeira, continuam a insistir em novas contratações, fruto de algumas alucinações, elevando o défice. Infelizmente, deixam-se facilmente cair na tentação e não possuem qualquer estratégia. Os números médios de assistência nos estádios confirmam que só temos três, quatro, clubes com apoio popular para disputar as ligas profissionais.
É, pois, preciso coragem para colocar estes factos como pontos de partida para a reflexão sobre a reestruturação dos quadros legais que regulamentam a atividade desportiva. Atravessamos o momento ideal para repensar tudo o que se fez, até agora.
As outras modalidades vão sobrevivendo… com muitas (e cada vez maiores) dificuldades. As pessoas já esqueceram os jogos olímpicos e só daqui a 3 anos é que se vão lembrar outra vez.
Fruto de uma cultura futebolizada, de políticas descaracterizadas e de alguma promiscuidade nas funções políticas, só o futebol aufere de estatuto de “prioritário”. As outras modalidades, para poder ter algum apoio, têm que se desunhar, têm que cortar investimentos, reformular expectativas e planeamentos para sobreviver!
Sem dúvida que estamos a bater no fundo, pelo que temos duas soluções, ou emigramos ou estreitamos as nossas relações, motivando para a união social e conjugação de esforços. Esta situação económica do país induz-me a propor duas ideias, que sustentam a minha conduta profissional e que se aplicam claramente no desporto, mas também se alargam facilmente aos restantes acontecimentos quotidianos: ”encarar os maiores desafios como grandes oportunidades” e “concentrar nos fundamentos da melhoria da preparação e da união de esforços, como os pilares basilares de uma equipa vitoriosa”.
A mudança será fruto da forma como os líderes das estruturas políticas/económicas/sociais encaram a sua missão. Neste momento, precisamos de lideranças fortes, capazes de produzir um efeito “pigmalião”, que acreditem e façam acreditar numa força transformadora.
O que intimamente desejo é que se produza mais e melhor, que o cenário se transforme, que o desporto se desenvolva cada vez mais, nas escolas, nas ruas, nos parques, nos campos, nos pavilhões. Será um ano difícil, mas é exigida que exista uma esperança coletiva para um futuro… menos mau!




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