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Ética e liderança

A atual crise que se vive no Sporting Clube de Portugal tem dado muito que falar. No entanto, penso que nisto, como em tudo na vida, mais importante seria que desse para pensar. E se fizermos um esforço para pensar seriamente no assunto, depressa descobrimos importantes pontos de reflexão. A crise do Sporting vem confirmar algumas verdades que se tornaram já lugares comuns, como a inutilidade das constantes mudanças de treinador.

Manuel Cardoso
10 Jan 2013

É uma verdade tão evidente que parece difícil perceber como continua a ser esquecida. Obviamente, há sempre duas maneiras de encarar o assunto e muitas vezes diz-se que as “chicotadas psicológicas” são provocadas pelos maus resultados, quando o inverso também é verdadeiro.
Se é verdade que o Sporting está em crise por causa dos maus resultados, penso que, da mesma forma, é correto afirmar que as mudanças de treinador também foram causa desses mesmos maus resultados.
No futebol como na vida, os “ses” são inúteis. Mas arrisco um: se o Domingos Paciência continuasse em Alvalade, o Sporting estaria bem melhor neste momento.
Mas não era propriamente por este caminho que eu pretendia fazer seguir este texto; onde eu queria chegar era aqui: o maior motivo de reflexão que a crise do Sporting me suscita é este – a questão da liderança dos clubes de futebol.
As conversas que vou tendo com os meus amigos e familiares sportinguistas conduzem quase sempre a este argumento: “mas Godinho Lopes é um homem sério e boa pessoa”. Mas, dramaticamente, depressa concluímos que esses argumentos de nada servem para uma boa gestão e, desgraçadamente, por vezes até funcionam como entraves…
Os campeonatos de futebol não são concursos de boas pessoas e um presidente de um clube ou de uma SAD é, acima de tudo, um empresário de um negócio chamado futebol. O maior sucesso do FC do Porto deve-se, em primeiro lugar, ao presidente Pinto da Costa e ninguém discute se ele é ou não “boa pessoa”. Isso não está em causa. O que está em causa é que ele é um excelente gestor, mesmo que isso muitas vezes o leve a tomar decisões polémicas em termos de ética. Penso que se passa o mesmo com o SC de Braga. António Salvador pertence à “escola” de Pinto da Costa: duro, direto, implacável. Nada disto se aplica a Godinho Lopes.
Obviamente, esta pequena reflexão pode conduzir-nos a algo ainda mais complexo: será que no governo de um país também só pode haver sucesso com lideranças tão autocráticas? Responder afirmativamente a esta questão seria simplista e abusivo porque, felizmente, governar um país exige muito mais do que dirigir um clube de futebol; hoje em dia as SAD’s são empresas. E todos sabemos que, infelizmente, dirigir uma empresa de sucesso, nesta selva capitalista em que vivemos, é uma atividade onde a ética não conta para nada. Felizmente, ao nível politico, acredito que a democracia ainda esteja num patamar um bocadinho mais elevado… até ver…




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