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Brasil diz “não” ao Acordo

Ofamigerado Acordo Ortográfico, firmado em 1990 por todos os países de expressão portuguesa (à exceção de Timor-Leste, que na altura ainda não era independente, vindo a assiná-lo apenas em 2004), sofreu recentemente um sério revés. A Presidente do Brasil, Dilma Rousseff, assinou um decreto (publicado no “Diário Oficial da União” em 28 de dezembro passado) que remete para janeiro de 2016 a entrada em vigor daquele polémico Acordo. Ou seja: a três dias da data de implementação definitiva das novas regras ortográficas no Brasil, conforme um decreto presidencial de 2008, Dilma Rousseff adiou por mais três anos essa implementação…

Victor Blanco de Vasconcellos
10 Jan 2013

Aparentemente, este adiamento da definitiva entrada em vigor do Acordo no Brasil, ainda que daí se pudesse extrair alguma “carga simbólica”, não teria grande significado se se tratasse de um mero prolongamento do período de “adaptação”. Mas a realidade é bem diferente. Porque este adiamento decretado pela Presidente Dilma é apenas o “reflexo” e a “consequência” da enorme onda de contestação que se vive na sociedade brasileira em torno do Acordo Ortográfico. Aliás, vários académicos daquele país e diversas “forças vivas” brasileiras – com destaque para classes profissionais com grande peso neste processo, como a dos professores, dos editores e dos jornalistas – já fizeram saber que não concordam com os “termos” do Acordo de 1990 e que urge “ajustar”, “melhorar” e “ampliar” (três evidentes eufemismos…) essas normas. O que, na prática, significa o seguinte: uma parte considerável da sociedade brasileira discorda do teor do Novo Acordo Ortográfico e tudo fará para que ele não entre em vigor de maneira definitiva e irreversível!
Agravando esta delicada situação, dois dos países com maior número de falantes do Português (Moçambique e Angola) ainda nem sequer “ratificaram” esse Acordo, nem estabeleceram quaisquer prazos para a sua implementação definitiva (e as autoridades angolanas até já fizeram saber, publicamente, que não aceitam “pressões” nesse sentido…).
Em Portugal, como se sabe, as novas regras ortográficas foram ratificadas e promulgadas em 2008, entraram em vigor em maio de 2009 e encontram-se atualmente na fase de “convivência” com as normas antigas. O novo Acordo Ortográfico será implementado, a título definitivo, no nosso país, em janeiro de 2015.
Ou seja: Portugal – a pátria-mãe da Língua Portuguesa e o país a quem o Acordo de 1990 mais prejudica… – poderá ficar isolado daqui a dois anos, com uma ortografia que mais ninguém quer!




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