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A lei do correto uso da vida humana (III)

Tudo o que um homem faz é determinado pelos seus valores e é a clara expressão desses mesmos valores. As atitudes, os diversos comportamentos, as conversas, os escritos, as companhias preferidas e os locais frequentados são o espelho desses valores selecionados por cada um de nós. É óbvio que precisamos de ter uma escala de valores bem definida e viver de acordo com ela. Devemos, pois, destrinçar o que é importante, benéfico e valioso daquilo que é banal, fútil, prejudicial ou maléfico. Este princípio é a base dessa escala de valores.

Artur Gonçalves Fernandes
10 Jan 2013

A partir daqui não há necessidade de estamos a pensar continuamente na referida escala para agir de acordo com os valores nela inseridos, pois eles surgem automaticamente interligados com o curso da própria vida. Eles servem de ponte e de elo para o homem atravessar, ligar e comunicar com o mundo dos seres físicos, vivos e, nomeadamente, com os outros seres humanos e com Deus. “Como seria bom – afirmou Séneca – se os homens exercitassem o espírito pelo menos tanto quanto exercitam o corpo, e se preocupassem tanto com a virtude como se preocupam com o prazer”. O homem obtém bons ou excelentes resultados por usar corretamente o cérebro e não apenas por o possuir. É como ter dinheiro e, em vez de o utilizar sensatamente, enterrá-lo sem nunca dele tirar qualquer benefício. O nosso cérebro é tão poderoso que se torna impossível calcular todas as suas capacidades ou determinar um padrão que sirva para medir o ponto mais alto que o homem pode atingir ou avaliar a força de todo o seu potencial. Como é triste ver tantos homens que se contentam em viver e arrastar-se, durante a sua existência, num nível tão medíocre! Que Ética defendem e praticam aqueles governantes que vão passar festas de Natal ou passagens de ano em estâncias de luxo, enquanto os pobres proliferam, os doentes vegetam sem hipóteses de uma assistência mínima e a educação dos jovens se torna materializada e desordenada por esse mundo fora! E que dizer dessa chusma de nomeações de “especialistas” (muitos sem formação adequada) para os gabinetes ministeriais, auferindo vencimentos chorudos! Onde mora a coerência, a equidade, a justiça social, os princípios éticos que eles apregoam defender como sendo características da religião ou das “sociedades secretas” a que pertencem?
 Uma das lições mais relevantes que temos de aprender, assimilar e consolidar é a de nos podermos elevar humanamente, orientados pela razão que é a grande força impulsionadora das nossas emoções. O homem, se não souber controlar as suas emoções e os seus impulsos, pode meter-se em toda a espécie de sarilhos e entrar por caminhos tortuosos de onde nunca mais poderá sair. Pode ser levado por um mau guia a jogar as suas emoções de ódio, ira, ganância, ou a roubar, a insultar, a matar e a cometer toda a casta de crimes. Mas, também pode ser orientado por um bom guia a fazer coisas boas, positivas e úteis para ele mesmo e para a sociedade. O que somos por dentro mostra-se por fora. Um rio começa por cavar um canal; depois o canal passa a controlar o rio. As pessoas não se tornam deliberadamente patifes, bêbados, ladrões ou viciados em drogas ou em quaisquer outros psicotrópicos individuais ou de ordem social. Tornam-se gradual-
mente dependentes desses vícios por se deixarem ser vítimas da corrente que cava o canal da vida cada vez mais profundamente. Temos de ter ideais elevados e bons costumes e controlar todos os canais que se abram nas nossas vidas. A alma necessita de submeter-se a elevados ideais (sociais, morais e espirituais), até que, por fim, essas faculdades espirituais se tornem a força dominante na nossa vida. Assim, e só assim, poderemos alcançar uma vida melhor, mais elevada e o mais plena possível.




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